024.01 – OS DIREITOS DOS VIZINHOS

024.01 – OS DIREITOS DOS VIZINHOS

Adorai a Allah e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência os vossos pais e parentes, os órfãos e os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro de lado, o viajante e os vossos servos”. Cur’ane 4:36.

Uma família honesta e responsável, é a base fundamental duma sociedade estável e solidária. Para facilidade de entre ajuda e do abastecimento de todos os bens e serviços que necessitam para sobreviverem, as famílias acabam por viver umas ao lado das outras, constituindo os bairros, as vilas e as cidades. Ninguém vive só, todos necessitamos uns dos outros. Temos os nossos vizinhos, com quem dialogámos e nos cruzámos todos os dias. Quando algum problema grave nos bate à porta, muitas vezes é o nosso vizinho que nos acode. Mesmos os mais abastados, não conseguiriam viver isolados do resto do mundo. O mesmo também se aplica em termos religiosos.

Cada vez mais, o mundo é mais global e passamos a conhecer outras formas de estar na vida. Como ninguém pode insultar a mãe do outro, também não se deve ofender a religião do outro. O Profeta Muhammad, que a Paz de Allah e as Bênçãos de Allah estejam com ele, referiu: “Um dos pecados mais grave, é quando um homem insulta os seus próprios pais. Alguém perguntou: “ Acaso iria alguém insultar os seus próprios pais?” Respondeu: “ Sim, é quando um homem maldiz ao pai de alguém e este replica com o mesmo; é quando um homem maldiz a mãe de alguém e este replica com o mesmo.” Seguindo os ensinamentos do Isslam, podemos viver em paz com os nossos vizinhos, independentemente da cor, etnia e religião. O Isslam visa não só a criação duma sociedade, onde sejam implementadas as Leis Divinas, mas também recomenda valores que garantam a coesão da sociedade, onde cada um se sinta importante. Cada membro tem a sua parte na responsabilidade e em troca, acaba por ter a protecção dessa mesma comunidade. As brigas entre os vizinhos são prejudiciais, levando muitos a procurarem a paz noutros locais. Por isso, o Isslam recomenda normas e condutas para uma boa vizinhança.

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024 – OS VIZINHOS

024 – OS VIZINHOS.

Uma família honesta e responsável, é a base fundamental duma sociedade estável e solidária. Para facilidade de entre ajuda e do abastecimento de todos os bens e serviços que necessitam para sobreviverem, as famílias acabam por viver umas ao lado das outras, constituindo os bairros, as vilas e as cidades. Ninguém vive só, todos necessitamos uns dos outros. Temos os nossos vizinhos, com quem dialogámos e nos cruzámos todos os dias. Quando algum problema grave nos bate à porta, muitas vezes é o nosso vizinho que nos acode. Mesmos os mais abastados, não conseguiriam viver isolados do resto do mundo. O mesmo também se aplica em termos religiosos.

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036.01 – A CONTRIBUIÇÃO DAS MINORIAS PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL

036.01 – A ORIGEM DOS MUÇULMANOS EM PORTUGAL

A CONTRIBUIÇÃO DAS MINORIAS PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL

Teor da minha intervenção efectuada no congresso dos Professores de História, que se realizou na cidade de Guimarães – Portugal, no âmbito da “Capital Europeia da Cultura”. O tema debatido foi a “Contribuição das minorias para a construção da identidade nacional”. É um assunto que se adapta em qualquer país, onde os muçulmanos constituem a minoria.

“MINHAS SENHORAS, MEUS SENHORES,

ASSALAMO ALEIKUM

Esta é a saudação dos muçulmanos, que significa – QUE A PAZ DE DEUS ESTEJA CONVOSCO. Utilizamos esta expressão, para saudarmos os nossos irmãos de fé e não só. Saudamos tantas vezes quantas as que encontrarmos com o mesmo irmão ou irmã, no mesmo dia. É uma forma de aumentarmos a harmonia e a amizade entre nós.

Quando Deus, o Altíssimo, criou Adão, que a Paz de Deus esteja com ele, disse-lhe: “Dirige-te aos anjos que estão sentados acolá e atenta para o modo como te vão saudar, pois será também o modo de saudares a tua descendência”. Adão se aproximou dos anjos e disse: “A Paz esteja convosco!”. E eles responderam: “A Paz e a Misericórdia de Deus estejam contigo!”.

O significado desta belíssima manifestação de harmonia e de irmandade, foi desvirtuada e deu origem no nosso país, ao termo “Salamaleque”, cujo significado é a mesura exagerada, fazer reverências a fim de se conseguir o que se deseja, ou saudação interesseira. É por isso que em Portugal se diz “deixa de salamaleques”, quando alguém exagera nas palavras interesseiras.

Em nome do Centro Cultural Islâmico do Porto, agradeço à Associação de Professores de História o convite que me foi endereçado para falar acerca da participação dos muçulmanos residentes em Portugal,  na construção da identidade nacional.

Aproveito a oportunidade para saudar o berço da nação, a cidade de Guimarães, em especial pela celebração da Capital Europeia da Cultura e pelos inúmeros eventos culturais que vêm sendo realizados.

Durante os anos cinquenta, D. Sebastião Soares Resende, o primeiro Bispo da Beira, segunda cidade de Moçambique, preconizava, em defesa dos desfavorecidos, um ensino igual para todos, quer fossem indígenas, indianos, mestiços ou europeus. As relações laborais então desenvolvidas pelos empregadores, defendiam que os negros estavam destinados ao trabalho mais pesado. Para alterar esta situação, o Bispo não encontrou muitos aliados dentro da igreja católica e muito menos no governo central colonial. O então ministro do ultramar, Dr. Adriano Moreira, compreendeu os anseios do Bispo e em 1961, acabou com o estatuto do indigenato, que impedia a maioria das populações das províncias ultramarinas de adquirem a nacionalidade portuguesa e do direito à educação. Com a influência das preocupações do Bispo D. Sebastião, em Agosto de 1962 são criados os Estudos Gerais de Moçambique e Angola para instauração do ensino técnico, politécnico e superior. Em 1962 foi fundada em Lourenço Marques a primeira universidade, tendo como reitor o Dr. Veiga Simão. Foi assim possível juntar, na mesma sala de aulas, alunos de todas as cores, ávidos da procura de conhecimentos técnicos, que permitissem melhorar as condições precárias em que se encontravam com as suas famílias.

Antes de Portugal viver a época da globalização, nas suas ex-colónias, nomeadamente em Moçambique, vivia-se uma diversidade cultural e religiosa, com a multiplicidade de cores, raças e religiões. Os antigos colonos foram para Moçambique à procura de melhores condições de vida. Moçambique também recebeu imigrantes dos 3 estados indianos outrora pertencentes a Portugal, Goa Damão e Diu. Muitos deles constituíram famílias, casando com as nativas, dando origem a filhos mestiços. A coexistência pacífica entre as diversas raças, culturas e religiões, fazia inveja aos nossos vizinhos Sul-Africanos, cujo povo sofria da segregação racial.

Apesar das facilidades de acesso ao ensino em Moçambique, de acordo com as capacidades financeiras de cada um, alguns jovens muçulmanos, de origem indiana, por volta dos anos sessenta, preferiram fazer o trajecto contrário ao dos colonos, emigrando para a capital do império, à procura das melhores universidades. Acabaram por cá ficar, dando origem às primeiras famílias de muçulmanos em Portugal. Em 1968, o referido grupo de estudantes, cria a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL).

Com a independência de Moçambique, muitos muçulmanos, na maioria de origem indiana, abandonaram Moçambique, acabando por escolher Portugal como destino privilegiado. A eles juntaram-se os refugiados da Guiné Bissau, a pretexto de terem sido militares Portugueses, e, por tal, sujeitos às perseguições pelos seus conterrâneos.

Os Moçambicanos e os Guineenses foram os primeiros percursores da Comunidade Islâmica em Portugal. Sentiram dificuldades que foram surgindo ao longo dos anos, nomeadamente a discriminação nas escolas e nos empregos. Os portugueses, habituados ao catolicismo, desconfiavam destes imigrantes que traziam com eles uma religião diferente. Porque os recém-chegados tinham em comum a língua Portuguesa e porque estavam habituados a conviver nas suas terras de origem, com outras raças, religiões e culturas, a desconfiança foi-se desvanecendo, dando lugar ao diálogo. Eles obtiveram a nacionalidade Portuguesa, por direito.

O serviço militar obrigatório cumprido pelos muçulmanos, durante as guerras de libertação nas antigas colónias, a par de outros sentimentos, aumentou o sentimento da identidade, nacional. Apesar de se terem passado muitos anos, ainda estão nas nossas mentes os momentos vividos nas longas batalhas em que muitos voltaram marcados definitivamente e outros perderem a vida.

Com a globalização, a Comunidade Islâmica viu alargada a diversidade de raças e nacionalidades. Vindos dos países árabes, de África, da India, do Paquistão do Bangladesh, da Turquia e dos países próximos da União Soviética, a diversidade linguística e cultural aumentou, mas todos professando a mesma religião, de que não há outra divindade senão Allah (Deus) e que Muhammad é Seu último mensageiro. Uma multiplicidade de culturas, que confunde muitas vezes os menos atentos, levando-os a pensar que muitos dos usos e costumes fazem parte dos rituais da religião islâmica.

A vinda destes novos imigrantes trouxe problemas acrescidos à nossa integração como minoria. As línguas de origem dificultavam-lhes a integração, a escolarização das crianças e também a obtenção de empregos. A discriminação e a desconfiança voltaram a sentir-se, pois a visibilidade era maior, devido aos usos e costumes, ao vestuário e aos diferentes idiomas que se ouviam em todos os locais. Foi necessário organizarem-se aulas de Português, tanto para os adultos como para os mais novos. Graças ao apoio de diversas associações, foi possível colmatar esta situação.

Com muitos anos de trabalho e de permanência no país, alguns imigrantes conseguiram obter a nacionalidade Portuguesa e acabaram por solicitar o agrupamento familiar.

A procura das melhores condições de vida levou a que muitos muçulmanos se espalhassem pelo país, deixando Lisboa de ser a cidade principal de acolhimento. Nas novas localidades para onde foram viver, tiveram o cuidado de ficar perto uns dos outros ou de procurar alojamento perto dos locais de culto. A proximidade das mesquitas torna-se importante para que as 5 orações diárias possam ser efectuadas, de preferência em congregação. A logística, para que os filhos possam continuar a aprender as bases da religião, é também outro factor determinante para as concentrações. Outro aspecto não menos importante é o da existência de um talho que forneça alimentos halal, isto é, carne de animais abatidos em nome de Deus, o Único, e devidamente sangrados.

A partir dos anos oitenta, com alguma curiosidade, os residentes das cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia começaram a assistir à chegada dos muçulmanos. Com o aumento dos crentes e com a Comunidade Islâmica de Lisboa distante, os residentes optaram por criar uma associação, a que deram o nome de Centro Cultural Islâmico do Porto, Pessoa Colectiva Religiosa, a qual se encontra devidamente autorizada e registada. Para além das actividades religiosas e sociais, esta associação é também responsável pelo diálogo inter-religioso a nível do norte do país.   

A par dos outros países europeus, Portugal, com a independência das suas colónias e com a globalização, começou a viver uma nova realidade, alterando o conceito de nacionalidade assente nos pilares da religião católica. Portugal adaptou-se a este multiculturalismo, sem grandes sobressaltos. Três importantes factores contribuíram para este sucesso: i) a comunidade muçulmana ser constituída maioritariamente por crentes oriundos de Moçambique e da Guiné Bissau; ii) Terem em comum a língua Portuguesa; iii) Os dirigentes e os responsáveis religiosos das comunidades serem maioritariamente compostos por quadros, empresários e clérigos integrados na sociedade portuguesa. Mas ainda há muito caminho a percorrer, apesar dos passos que já foram dados para a liberdade religiosa. Ainda nos encontramos longe da igualdade de tratamento.

Sem deixarem de praticar a religião e de procurarem manter as heranças culturais, a maioria dos muçulmanos a viver em Portugal sente que está inserida na sociedade, trabalhando e contribuindo para o engrandecimento do País. Os da primeira geração, mesmo os mais conservadores em termos religiosos e culturais, com todas as dificuldades económicas e financeiras, deram aos filhos a possibilidade de estudarem e tirarem cursos técnicos ou superiores, de acordo com as suas capacidades financeiras. Concluídos os cursos e as especializações, são hoje gestores e técnicos conceituados no nosso meio empresarial. O Profeta Muhammad, que a Paz de Deus esteja com ele, encorajou-nos a procurar o conhecimento, nem que tenhamos de viajar até à china. Jesus, que a Paz de Deus esteja com ele, também Profeta e Mensageiro do Islão, referiu: “Deus gosta que os Seus servos aprendam um ofício que os torne independentes”. Relato de Abu Bakr Ibn Abi al-Dunya.

Os pais alertam sempre os seus filhos para que a integração na sociedade portuguesa não seja causadora da perda dos valores morais e religiosos. Apelam para a conservação das raízes culturais. Os mais jovens sabem que fazem parte da identidade portuguesa, apesar de algumas vezes se sentirem discriminados na sociedade e no mercado de trabalho. Fazem parte de todas as profissões, advogados, contabilistas, economistas, médicos e também comerciantes e trabalhadores da construção civil.

Em Portugal, a palavra “emigrar” está agora na moda. Os jovens muçulmanos sentem também dificuldades na obtenção de empregos e procuram colocações noutros países. Outros sentem a discriminação por causa da religião e pelos nomes que outros dizem ser difícil de pronunciar. No entanto, os responsáveis das comunidades continuam a encorajar os seus membros para continuarem a colaborar para que Portugal possa ultrapassar a crise em que se encontra. Somos também Portugueses e a nós também compete participar no desenvolvimento do país.

Mas nem tudo corre bem, porque alguns crentes, principalmente por motivos económicos, não conseguiram que os seus filhos adquirissem a escolarização necessária, arma importante para a luta contra a pobreza e contra o obscurantismo. Um dos 5 pilares do Islão é o Zakat, a contribuição para os mais necessitados. Os muçulmanos são como um corpo, quando um membro se encontra doente, todo o corpo se ressente. Com as verbas recolhidas, os responsáveis das comunidades procuram atenuar os flagelos da fome e incentivam os mais velhos para não descurarem os benefícios da escolarização. Compete ao Estado, melhorar as condições, para que todos os seus cidadãos, em especial as crianças, possam beneficiar de acesso à formação escolar. É também responsabilidade do Estado dar especial atenção aos que se encontram marginalizados, vivendo em condições de extrema pobreza, dando-lhes a possibilidade de tirarem cursos técnicos. Não gostaríamos de ver os nossos jovens cometerem actos de violência, por se sentirem duplamente revoltados, para além da pobreza, por se considerarem marginalizados por questões de cor, raça e religião. Não só me refiro à comunidade muçulmana, mas a todos os que, vivendo em Portugal, se encontram nestas condições. Se nada for melhorado, este mal poderá continuar nas gerações seguintes, acabando os lesados por se manifestarem fora dos limites prescritos pela lei e pelos ensinamentos religiosos. Com a agravante que outros olhos possam confundir estas manifestações de desagrado com o fundamentalismo. A jihad é o esforço no caminho de Deus. A jihad pode ser o esforço de um crente, na procura de conhecimentos escolares, com vista à obtenção de melhores condições de vida para si e para os seus. Neste caso particular, a melhor jihad é não ter medo de, cara a cara, proferir uma palavra justa, perante um governante injusto.

Vários estudos, efectuados pelas universidades europeias, referem que é a religião islâmica a que mais está a crescer em todo o mundo. Dentro de 5 a 6 décadas, na europa, os muçulmanos constituirão a maioria. O referido crescimento não se limita aos nascimentos. Só em França, os convertidos ao Islão, já ultrapassam os 100.000. Alguns nacionalismos advogam o regresso da pureza da raça. Continuam as provocações, a pretexto da liberdade de expressão, uma conquista importante da democracia. Mas não podemos utilizar insultos nem ultrapassar os limites, onde começam os direitos dos outros. Alguns muçulmanos, contrários aos ensinamentos religiosos, manifestam-se duma forma violenta, acendendo ainda mais a fogueira da discórdia. Esquecem-se de que o Profeta Muhammad (Que a Paz de Deus esteja com ele), quando foi provocado e agredido, nunca respondeu com violência, mas sempre esperançado de que os seus agressores renunciariam à idolatria e se voltariam para Deus.

Às provocações que lemos na imprensa local, exercemos os nossos direitos de resposta, enviando artigos com esclarecimentos e o nosso ponto de vista. Salvo raras excepções, na maioria das vezes, os nossos artigos não são publicados. Parafraseando um ditado popular, só é notícia relevante quando um homem morde um cão.

Todas estas situações são preocupantes, porque perspectivam um futuro cheio de intolerância. A solução para esta incerteza é o de estimular e criar condições para que os jovens, de todos os quadrantes sociais e religiosos, possam aceder à educação, ao convívio e ao conhecimento mútuo. A pobreza não pode ser um entrave para a escolarização. Os governos deverão criar um protocolo com as comunidades islâmicas para que incrementem e incentivem a escolarização dos mais necessitados. Podem ter medo dos homens, mas não tenham medo do Islão.

A Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, conhecida por Colégio Islâmico de Palmela, funciona como uma escola oficial reconhecida e acompanhada pelo Ministério da Educação. A par da formação religiosa, os alunos são preparados para ascenderem às universidades se assim o desejarem. O respeito, a responsabilidade e a disciplina, são os três princípios que regem esta instituição de ensino, procurada não só pelos muçulmanos, como também por outros credos. No ranking das melhores escolas, vem obtendo as melhores classificações. Com cerca de 200 estudantes, nas horas reservadas à religião, os alunos de outros credos, são ocupados com apoio extra-escolar. O exemplo desta Escola Básica, deveria estender-se às principais cidades do país.

Em Portugal, os muçulmanos vivem em paz com os seus vizinhos, professam a religião e procuram com tolerância dissipar as informações erradas transmitidas pela comunicação social. Para isso, os responsáveis da comunidade islâmica, tanto no Centro/Sul como no Norte, vêm desenvolvendo trabalhos de divulgação junto às escolas, universidades e associações, com vista à explicação dos fundamentos da religião islâmica, para que também percebam que o islão não tem nada a ver com as manifestações violentas e com os atentados em nome da religião. A violência é própria de qualquer ser humano, independentemente da sua filiação religiosa, quando não consegue controlar os seus instintos maléficos.

A existência de várias culturas e religiões é sinónimo de que não vivemos a sós neste mundo. Uma só cultura e uma só religião, seria uma monotonia, como se todos estivéssemos vestidos de amarelo. A diversidade de cores, de costumes, da comida e do vestuário, aguçam a curiosidade para conhecermos o que é diferente e encoraja-nos a viajar por recantos mais longínquos e desconhecidos. Aprendemos sempre algo de novo com outras culturas. Lembro-me duma passagem que me foi contada por um professor de história, nos meus tempos de estudante em Lourenço Marques, hoje Maputo. Estava Camões doente, às portas da morte e com vontade de fumar um cigarro. Deitado na cama, com dificuldades em mover-se, pediu ao seu empregado africano, para lhe acender um cigarro. O empregado retirou-se do quarto e dirigiu-se à fogueira, na palma da mão esquerda colocou areia para não se queimar e, com a ajuda de um pau, colocou uma pequena brasa por cima da areia, que permitiu a Camões acender o cigarro. Agradecido, Camões exclamou: “mesmo às portas da morte, estamos sempre a aprender”. 

É importante conhecermos o próximo. Com tolerância mútua, criarmos um diálogo honesto, a fim de encontrarmos a paz e a tranquilidade. Só assim continuaremos a construir um Portugal melhor para os nossos filhos e para as gerações vindouras. Cabe às associações de todos os quadrantes darem os passos necessários para a concretização destes objectivos, promovendo debates e sessões de esclarecimento para os seus membros e abertos a toda a população. É de louvar o trabalho já desenvolvido por algumas associações, que promovem diversos encontros, para difusão da arte, literatura e cultura em geral. Também de louvar, a preocupação dos professores de história e de religião e moral para darem aos seus alunos o conhecimento de outras religiões, promovendo visitas e encontros nas sinagogas, mesquitas e outros templos.

O nosso local de culto na cidade do Porto, é visitado anualmente, por mais de 2.000 alunos do ensino secundário, no âmbito das disciplinas de história e de religião e moral. Nas referidas visitas, de duração de cerca de quarenta e cinco minutos, os alunos são informados dos diversos aspectos ligados aos fundamentos e ao culto islâmico.

Portugal está a redescobrir o arabismo, um importante contributo para o enriquecimento da língua e cultura portuguesas. Os muçulmanos, durante o período da ocupação, deixaram um valioso legado histórico, cultural e arquitectónico. O antigo termo português “Albaraque”, que significa bênção, gentileza, é a palavra bem típica que simboliza o convívio, tão importante para cimentar o encontro entre culturas. A cozinha alentejana foi influenciada pela cozinha árabe, com muitos sabores mediterrânicos. O rei poeta Al-Mutamid, nasceu em Beja, foi rei de Silves e do Sul de Espanha. Os legados árabes em Mértola e Beja, os reservatórios de água em Silves e as antigas mesquitas transformadas em igrejas, lembram a presença dos muçulmanos nos séculos anteriores. No vocabulário Português, existem cerca de 600 palavras com origem no Árabe, como por exemplo algarve, alfinete, algarismo azeitona, laranja e azeite. Um termo muito utilizado na língua Portuguesa, o “OXALÁ”, tem origem no árabe “IN SHA ALLHA”, se Allah quiser.

Aproveito a oportunidade para em nome do Centro Cultural Islâmico do Porto, da Comunidade Islâmica de Lisboa e das diversas associações das minorias muçulmanas, apresentar a todos os congressistas e a todos os associados, os meus sinceros votos da continuação de um bom trabalho e que obtenham deste congresso as motivações necessárias para continuarem com maior empenho o vosso nobre trabalho, o de ensinar. Issa, Jesus, que a Paz de Deus esteja com ele, também Profeta do Islão referiu: “aquele que aprende, pratica e transmite sabedoria, será chamado grande no reino dos céus. Homem do saber, aprende da sabedoria o que não conheces e ensina ao ignorante o que aprendeste”. Relatos de Ahmad Ibn Hambal e de Abu Nu’ayn al-Isbahani.

Que a Paz de Deus esteja com todos.

Abdul Rehman Mangá

05 de Outubro de 2012.”

 

 

 

 

036 – A ORIGEM DOS MUÇULMANOS EM PORTUGAL

036 – A ORIGEM DOS MUÇULMANOS EM PORTUGAL

Teor da minha intervenção efectuada no congresso dos Professores de História, que se realizou na cidade de Guimarães – Portugal, no âmbito da “Capital Europeia da Cultura”. O tema debatido foi a “Contribuição das minorias para a construção da identidade nacional”. É um assunto que se adapta em qualquer país, onde os muçulmanos constituem a minoria.

Ler no capítulo 036.01…

 

027.11 – A PACIÊNCIA NA DIVULGAÇÃO DO ISLÃO

027.11 – A PACIÊNCIA NA DIVULGAÇÃO DO ISLÃO

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), último Profeta enviado por Allah, foi o exemplo da paciência e da perseverança, na divulgação da palavra de Deus. A responsabilidade de espalhar a palavra da fé e da paciência, cabe a cada um dos membros da Umah, junto dos seus filhos, da sua família, dos seus amigos, ou junto da sua comunidade como responsável religioso. Os que se dedicam ao trabalho da divulgação da religião, devem dar o exemplo através da conduta e do carácter. No inferno, habitam também os que mandavam fazer algo, mas faziam o contrário. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) quando visitou o inferno, viu umas pessoas com línguas de fogo e Jibrail (Aleihi Salam) anjo Gabriel, que a Paz de Allah esteja com ele, esclareceu de que se tratavam de eruditos que nos seus sermões mandavam praticar o bem, mas eles próprios não o faziam.

O trabalho da divulgação da religião requer muita fé, paciência e firmeza. Praticar a paciência neste tipo de trabalho, é um exercício de sabr e um requisito de fé. O divulgador da fé encontrará resistência e provocações, por parte de alguns não muçulmanos. Mas o pior é a oposição por parte dos muçulmanos e daqueles que se consideram mais esclarecidos. As pessoas esperam que um responsável religioso seja perfeito nas suas palavras e atitudes. Mas perante qualquer falha ou erro, elas não perdoam e lançam calúnias e palavras desagradáveis, esquecendo-se dos seus próprios erros e pecados. Haverá também os que pensam saber tudo sobre a religião e comentam entre eles de que até fariam melhor. Estar à frente duma comunidade religiosa, não é fácil. Os fundamentos da religião são únicos, mas difíceis de contentar todos os tipos de mentalidades. “Cada cabeça, sua sentença”.  Malik bin Anas (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalhu Aleihi Wassalam) disse: “chegará um tempo em que a pessoa quando estiver firme na religião, será como segurar uma brasa na mão”. Tirmidhi.

Os corações dos seres humanos estão cada vez mais insatisfeitos e virados para o consumo exagerado e para outras questões mundanas. O Mensageiro de Allah (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “O coração do filho de Adão é mais instável do que a água fervendo numa panela”. Imam Ahmad. O coração está sempre em constante mutação e por isso Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) suplicava frequentemente a Allah Subhana Wataala: “Ó Transformador de corações, mantenha-nos firmes na Tua religião”.

Rabaná af-rig ãleiná sab-ran wa tawafaná muslimun: “Senhor Nosso, concede-nos a paciência e faze com que morramos submissos a Ti!”. Cur’ane 7:126

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 36:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. 10.10. “Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41

Abdul Rehman Mangá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

027.10 – A PACIÊNCA DOS PROFETAS

027.10 – A PACIÊNCIA DOS PROFETAS

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

Allah, o Altíssimo recomendou a paciência a todos os Profetas. Eles sofreram represálias quando transmitiam as palavras da Unicidade de Deus: LÁ ILAHA ILLA ALLAH – Não há outra divindade senão a (única) Divindade (Allah – Deus). Allah testou todos os profetas e continua a testar todos os seres humanos. Quanto maior for o nível da fé, do conhecimento e da responsabilidade assumida, maior será o teste a que será sujeito e mais pesado será o julgamento no Dia da Prestação de Contas. No que se refere ao ilm (conhecimento religioso), não são iguais aqueles que sabem e os que pouco ou nada sabem. Por isso, os Profetas foram severamente testados, devido à elevada responsabilidade na transmissão da Palavra de Allah, o Criador da Terra e do Universo. Quanto maior for a fé, maior será o teste. No entanto, os Profetas demonstraram uma elevada paciência, que lhes permitiu enfrentar todo o tipo de dificuldades. Certa vez, quando  Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) estava doente e com temperaturas altíssimas, Abdullah (Radiyalahu an-hu) foi visita-lo e lhe perguntou: “Você tem uma febre alta. Será que terá uma dupla recompensa por isso? Ele respondeu: “Sim, nenhum muçulmano é afligido de algum mal (sofrendo com paciência), sem que Allah remova seus pecados, como as folhas que caiem duma árvore”. Bhukari 70:550. Aos Profetas, Allah multiplicou-lhes as preocupações. Muitas vezes desesperados, recorriam a Allah. Mas isso não significava de que tinham perdido o controlo da perseverança. Sabiam que só através de Allah é que podiam procurar ajuda para lhes socorrerem e lhes aumentar a paciência. Apesar da superioridade dos Profetas em relação aos seus semelhantes, eram também humanos e por isso recorriam a Allah nos momentos de grande aflição. É o caso do Profeta Ya’kub (Aleihi Salam) – Jacob (que a Paz de Deus esteja com ele), quando referiu: “Só exponho perante Allah o meu pesar e a minha angústia…”. Cur’ane 12:86. E quando ouviu as más notícias acerca dos seus filhos Yussuf (José) e seu irmão Benjamim, que a Paz de Allah esteja com eles, disse: “Fasabrum Jamil: Porém, resignar-me-ei pacientemente, pois Allah me confortará em relação ao que me anunciais”. Cur’ane 12:18. O Profeta Ayyub (Jó), que a Paz de Allah esteja com ele, invocou a Allah, o Criador, dizendo: “Na verdade, a adversidade tem-me açoitado; porém Tu És o mais Clemente dos misericordiosos.” Cur’ane 21:83.

Abdullah Ibn Massud (Radiyalahu an-hu) narrou: “É como se estivesse a ver  agora Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), nos falando de um dos Profetas de Allah – Aleihi Salam (Que Allah lhe dê paz), que foi golpeado por sua própria gente até sangrar; e disse enquanto limpava a ferida: “Senhor, perdoa  minhas gentes (o povo), porque eles não sabem o que fazem!”. (Bukhari e Muslim). O Profeta Mussa (Aleihi Salam), Moisés (Que a Paz de Deus esteja com ele), sofreu represálias do faraó, que dizia ser a única divindade. O faraó sentia inveja de Mussa e tinha receio de perder o seu reino e por isso organizou um complô para o matar. Mussa (Aleihi Salam) confiante na ajuda de Allah, recitou perante o tirano: “Refugio-me no meu Senhor e vosso Senhor, contra todos os arrogantes que não crêem no Dia da Prestação de Contas”. Cur’ane 40:27. 

O Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) desde pequeno sofreu diversos traumas. O seu pai faleceu uns meses antes de ele nascer. Quando muito pequeno, assistiu à morte da sua mãe em pleno deserto. Depois morreu o seu avô paterno, o seu tutor, Abdul Mutalib. Cresceu a cargo do seu tio Abu Talib. Desde cedo começou a ajudar o seu tio nos trabalhos. Suportou todos estes acontecimentos com muita paciência. “Na verdade, com a adversidade está a facilidade; certamente com a adversidade está a facilidade”. Cur’ane 94:5,6. Quando recebeu a profecia, sofreu muito devido à perseguição por parte dos adoradores de ídolos, que não aceitavam a Unicidade Divina. Tinham receio de perder o poder religioso e económico. Foi agredido e insultado, mas ele foi sempre paciente. Na cidade de Taif foi apedrejado e o sangue escorria ensopando os seus sapatos. Mesmo assim pediu a Allah, o Guia e o Transformador dos corações, para que um dia os agressores se convertam à Paz do Islam. Quando se apercebeu de que corria risco de vida, acabou por se retirar para a cidade de Madina, onde foi bem recebido pelos residentes. Não foi uma fuga, mas uma retirada estratégica. Necessitava de Paz e de Tranquilidade para transmitir a Palavra de Allah, que acabou por não só chegar à Maka, mas a toda a região circundante e  depois a toda parte do mundo. Alguns judeus ciumentos e invejosos, não estavam satisfeitos com sucesso da mensagem transmitida pelo Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), por ele ser um Árabe e não um dos filhos de Israel. Labeed bin al-A’sam, um mágico Judeu, encarregou-se de fazer magia contra o Profeta, que ficou gravemente doente. Mas ele suportava sempre as doenças e as provocações, pedindo a Allah para lhe aumentar a perseverança. “Na realidade, tendes no Mensageiro de Allah um excelente exemplo para aqueles que têm esperança em Allah e no dia do Juízo Final e invocam Allah frequentemente”. Cur’ane 33:21. Aisha (Radiyalahu an-há) disse: “A sua conduta, o seu carácter era o Cur’ane”. Quando regressou a Maka, triunfante e sem derramamento de sangue, não perseguiu nem mandou maltratar os seus inimigos, apesar de terem assassinado diversas pessoas que tinham renegado os seus ídolos, para se converterem ao Deus Único.

“Rabaná af-rig ãleiná sab-ran wa tawafaná muslimun: “Senhor Nosso, concede-nos a paciência e faze com que morramos submissos a Ti!”. Cur’ane 7:126

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. 

Abdul Rehman Mangá

027.09 – O SABR E A PERDA DOS NOSSOS ENTES QUERIDOS

027.09 – O SABR E A PERDA DOS NOSSOS ENTES QUERIDOS

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

Allah faz experimentar aos seus servos a fome, a perda dos bens e outras aflições. A perda de um ente querido é outro teste, que muitos não conseguem suportar, revoltando-se com todos e muitas vezes com o Criador de todas as coisas. O ser humano raramente se lembra da morte, que mais cedo ou mais tarde nos afectará a todos, independentemente da idade. Sofremos, mas achamos natural quando perdemos um pai, uma mãe, ou um ente querido mais velho. Mas quando morre um filho, a dor é ainda maior, porque consideramos natural um filho enterrar um pai e não ao contrário. Este é um dos verdadeiros testes que Deus faz à humanidade.

Os que tiverem a firme convicção de que Allah dá o que quer e que tira o que é Dele,  são os perseverantes. Com paciência e resignação dizem:  “Inna Lilahi Wa inna ileihi Rájiuna – Viemos de Allah e para Ele será o nosso regresso”. Cur’ane 2:156. Estes são os que vão receber as bênçãos e as Misericórdias de Deus. Estas são as palavras que os muçulmanos recitam quando uma morte é anunciada ou quando tomam conhecimento de alguma fatalidade. Será que reclamando, conseguiremos trazer de volta os nossos filhos, as nossas esposas e os nossos pais? Não podemos fazer mais, do que termos paciência e orarmos por eles, pedindo para que Allah tenha Misericórdia deles.

Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Allah louvado seja, disse: “Não tenho outra recompensa que não seja o próprio paraíso para o Meu servo crente, que  quando tomo o seu ente querido nesta vida, ele aceita com resignação, em busca da Minha recompensa”. Bukhari. O lamento não nos devolve os nossos familiares falecidos e não elimina a nossa dor. O que aconteceu tinha de acontecer, de acordo com o destino traçado para cada um de nós. In Sha Allah, um dia estaremos todos reunidos perante Allah, para prestarmos contas de tudo o que fazíamos.

Contrariamente aos que se revoltam, se descontrolam e até chegam a perder a fé, verter lágrimas de tristeza pela morte de um filho ou de qualquer outro familiar mais chegado, não significa falta de paciência, mas sim a tristeza que nós sentimos pela perda, que reflecte a misericórdia que Allah colocou nos nossos corações. Quando perguntado ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) porque deitava lágrimas quando pegou no seu neto, filha da Zainab, que estava morrendo, ele disse: “esta é a misericórdia que Allah introduziu no coração dos seus servos,  de quem Ele desejou. E Allah não concede a Sua Misericórdia, excepto na misericórdia entre os Seus servos.” Bukhari 70:559. 

Podemos referir que a religião está assente em três princípios: 1) Cumprir com o que nos foi recomendado; 2) afastarmo-nos do que nos foi proibido; e 3) Aceitar com paciência o que nos foi predestinado. Lucman, o sábio, deu a seguinte recomendação ao filho: “Ó meu filho, faça a  oração, recomenda as pessoas para o bem (ma’ruf) , proibi o ilícito (al-munkar) e sofre pacientemente em tudo o que te suceda, porque isto é firmeza”. Cur’ane 31.17.

Abu Umamah (Radiyalahu an-hu) referiu que o Mensageiro de Allah (Salalalau Aleihi Wassalam) disse: “Recitem o Cur’ane, porque será um intercessor no Dia da Ressurreição”. Muslim 4:1757.

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

Rabaná af-rig ãleiná sab-ran wa tawafaná muslimun: “Senhor Nosso, concede-nos a paciência e faze com que morramos submissos a Ti!”. Cur’ane 7:126

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. 

Abdul Rehman Mangá

027.08 – A GRATIDÃO, OUTRA METADE DA FÉ

027.08 – A GRATIDÃO, OUTRA METADE DA FÉ

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

Podemos considerar a fé dividida em duas partes: a paciência e a gratidão. Abdullah Ibn Massud (Radiyalahu an-hu) referiu: “A fé tem duas partes: metade é a paciência e a outra metade é a gratidão”. Al Tabarani. Allah, o Altíssimo, refere estas duas virtudes juntas em quatro capítulos do Cur’ane: “Nisso há sinais para todo o paciente, agradecido”. Cur’ane 14/5, 31/31, 34/19 e 42/33.

A paciência é também para ser praticada na saúde e na abundância. O verdadeiro paciente não distingue o tempo da facilidade e da dificuldade. Alhamdulillah! Este agradecimento e Louvor a Allah, deve ser uma constante nas nossas vidas. O complemento do sabr (a paciência), é o shukr  (a gratidão), quando agradecemos a Allah o nosso Sustentador, de tudo o que nos concede, desde a saúde, o emprego e uma família piedosa. Outros embalados pelos momentos da facilidade, não se lembram de agradecer a Allah. “… (são) poucos dos Meus servos que são agradecidos”. Cur’ane 34.13. O ser humano pensa que todas as suas “riquezas” foram obtidas através só do seu esforço e dedicação, esquecendo-se de que tudo o que obteve, foi devido à Misericórdia de Allah. “A Allah pertence tudo o que está nos céus e na terra”. Cur’áne 2:284. Outros apesar de serem donos de inúmeros bens e com esforços ainda mais redobrados, nada conseguem senão o cansaço e a frustração. Assim, nos bons momentos da nossa vida, devemos ser sempre agradecidos a Allah, porque Ele é quem dá o que quer e tira o que é dele. Nos maus momentos, devemos ser pacientes e reflectir de que há situações muito mais complicadas do que as nossas. Com a ajuda de Allah e com mais tranquilidade, vamos à procura de soluções para os nossos problemas. “Na verdade, com as dificuldades, há um alívio”. Cur’ane 94:5.

A paciência é uma grande virtude. No entanto, a gratidão é também outra grande virtude. Se juntarmos as duas qualidades ao nosso carácter, teremos uma fé ainda mais fortalecida. A importância da paciência e da gratidão, é espelhada pelas seguintes palavras de Umar ibn al Khatab (Radiyalahu an-hu) quando referiu: “Se a paciência e a gratidão fossem dois camelos, eu não teria qualquer problema em escolher qualquer um deles”. (os camelos eram bens muito preciosos naquela época). Se acrescentarmos à paciência a gratidão, teremos do nosso Senhor e Doador inúmeras recompensas, conforme é referido no seguinte versículo do Cur’ane: E (recorda-te) quando o teu Senhor proclamou: “Se Me fores agradecido, certamente que Eu vos multiplicarei (em favores). Cur’ane 14:7.

O Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), demonstrando a amizade por Mua’dh (Radiyalahu an-hu), deu-lhe o seguinte conselho: “…não deixes de recitar a seguinte prece, após as tuas orações: Ó Allah, ajude-me a lembrar-me de Ti, agradecendo-Te e adorando-Te duma melhor forma ”.  Bhukari (al Adab al Mufrad 690).

“…e se contais os favores de Allah, não podereis enumera-los…”. Cur’ane 14.34.

Rabaná af-rig ãleiná sab-ran wa tawafaná muslimun: “Senhor Nosso, concede-nos a paciência e faze com que morramos submissos a Ti!”. Cur’ane 7:126

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. 

Abdul Rehman Mangá

 

027.07 – SABR (A PACIÊNCIA) É A METADE DA FÉ.

027.07 – SABR (A PACIÊNCIA) É A METADE DA FÉ

inna Llaha maã sabirin. Na verdade, Allah está com os pacientes. Cur’ane, Surat Anfal 8:46.

Quando o crente é paciente, adquire a tranquilidade. O coração do crente não sentirá o vazio, pois estará sempre repleto de paz.  Apresentar-se-á perante a família e a sociedade, com a modéstia, a piedade, a calma e a sobriedade. Está escrito no livro da sabedoria que na modéstia e na paciência, residem a sobriedade e a  tranquilidade do espírito. A paciência é a força da contenção, é uma nobre qualidade que controla a alma, empurra-nos sempre para o bom comportamento e impede-nos de praticar actos que podem ser prejudiciais não só para os outros, mas para nós próprios. O campo da batalha está na nossa intenção, no nosso coração. Abster-se de algo errado, requer muita paciência. A religião baseia-se no cumprimento do que Allah ordenou e abster-se do que Allah proibiu.  Neste caso, a paciência é a metade da fé”. Quando surgirem problemas materiais e espirituais, o crente saberá ter a destreza e a paciência suficientes para superá-los. A fé do ser humano não é estável, sobe ou desce de acordo com o estado de espírito. Mas por obedecer a Allah e ao Seu mensageiro, o seu coração ficará tranquilo e em paz, aumentando a sua fé. “Foi Allah quem enviou tranquilidade (as-sakinah) nos corações dos crentes, para que possam acrescentar mais fé à sua fé…”. Cur’ane 48:4. Se demonstrarmos paciência e nos recomendarmos a Allah, a nossa fé e a nossa esperança ficarão mais fortalecidas e passaremos a encarar os problemas da vida com maior sabedoria. Abu Saad e Abu Huraira (Radiyalahu an-huma) relataram que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Sempre que um muçulmano seja acometido de uma fadiga, enfermidade, preocupação, tristeza, dano ou angústia, inclusive uma lança que o perfure, Allah lhe expiará, por isso, alguma das suas faltas”.

O crente estando sempre na companhia de Allah, obterá a ajuda de Allah em todo o seu trajecto da vida. “ Allah ama os perseverantes”. Cur’ane 3:146 Allah amará o crente quando ele atingir o mais alto grau na fé. Num Hadice kudssi, encontramos as seguintes palavras reconfortantes de Allah, nosso Senhor e Criador: “Eu sou tal como o Meu servidor espera que Eu seja. Eu Estou com ele quando ele Me recorda. Se ele Me menciona perante si próprio, Eu menciono-o perante Mim próprio: e se ele Me  menciona numa assembleia, Eu menciono-o numa assembleia melhor. E se ele se aproxima de Mim um palmo, Eu aproximo-Me dele um cúbito. E se ele se aproxima de Mim um cúbito,  Eu aproximo-Me dele um passo. E se ele caminha para Mim, Eu corro para ele”.  Bukhary 93:502. “Porque Allah está com os perseverantes”. Cur’ame 2:153.

Rabaná af-rig ãleiná sab-ran wa tawafaná muslimun: “Senhor Nosso, concede-nos a paciência e faze com que morramos submissos a Ti!”. Cur’ane 7:126

In Sha Allah, continua no próximo Juma.Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. 

Abdul Rehman Mangá

abdul.manga@gmail.com