021.02 – O CHAMAMENTO DOS PAIS

021.02 – O CHAMAMENTO DOS PAIS

“O teu Senhor decretou que não adoreis senão a Ele; e que sejais bondosos com os vossos pais. Se um deles ou ambos atingirem a velhice, em vossa companhia, não lhes diga “uff”, nem os maltrates. Outrossim, dirija-lhes palavras generosas. E estende sobre eles a asa da humildade e diz: Ó Senhor meu, tem misericórdia deles, como tiveram misericórdia de mim, criando-me desde pequeno”. Cur’ane 17:23-24.

A importância dos pais na sociedade é tão elevada, que o Islam refere que a desobediência a eles, constitui um  dos grandes pecados, imediatamente a seguir à associação de algo a Allah. Irritar os pais e pior ainda, fazê-los chorar, estão também inseridos nesta desobediência. Em pequenos, quando nos sentíamos doentes, gritávamos pela nossa mãe. O colo dela era um bálsamo para as nossas dores e para os nossos mimos. Depois, mais crescidos e até com barbas, quantas vezes não choramos no ombro dos nossos pais, em especial no doce ombro da nossa mãe?  Então porque, deliberadamente ou não, fazemos sofrer os nossos pais, ao ponto de eles deitarem lágrimas na solidão das suas preces?  Na presença de Allah, eles choram, procurando alívio. Pensam que fizeram tudo pelos filhos, mas agora crescidos, não lhes obedecem e muitas vezes colocam os seus interesses acima das necessidades dos pais. Uma mãe aborrecida com um filho, pode suplicar a Deus “que lhe ajude a dar um puxão de orelhas ao filho desobediente”. Acontece que Allah, vendo o sofrimento da mãe, acaba por aceitar o pedido de ajuda.

Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) referiu: O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Sem quaisquer dúvidas, três súplicas são aceites: 1) a prece de alguém que é oprimido; 2) a súplica de um viajante e 3) a prece dos pais contra o seu filho”. Imam Bukhari.

A passagem a seguir mencionada, tem como protagonista, um waliulá (amigo de Deus), dos tempos antigos de Bani Israil. Dedicava todo o seu tempo na oração, não se importando com bens terrenos. Porque desobedeceu a sua mãe, Allah acabou por aceitar a prece que ela fez contra o próprio filho:

Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) referiu: O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Nenhuma criança falou no berço, excepto Issa (Jesus), filho  de Mariam (Maria), que a Paz de Deus esteja com eles e o associado ao Jurayj. Foi-lhe perguntado quem era o associado ao Jurayj. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) respondeu: “Jurayj era um monge que vivia só no seu ermitério, lugar afastado do povoado. Havia um pastor que costumava abrigar-se no sopé, perto do ermitério. Uma mulher da aldeia, costumava visitar o pastor.

Um dia a sua mãe veio e chamou-o, Jurayj”, enquanto ele estava a orar. Ele interrogou-se: “Minha mãe ou a minha oração?”. Ele pensou, que o melhor é continuar com a oração. Ela voltou a chamá-lo pela segunda vez e ele inquiriu-se a ele próprio: “Minha mãe ou a minha oração? E ele voltou a preferir a oração. Ela o chamou pela terceira vez e ele pensou o que deveria fazer: “Minha mãe ou a minha oração?” E preferiu a oração. Como ele não respondeu, pela terceira vez, ao seu chamamento, a mãe (zangada), fez uma prece contra ele e disse-lhe: “Jurayj, que Deus não te dê a morte enquanto não vires a cara das prostitutas”. Depois retirou-se.

Passado algum tempo, a referida mulher da aldeia, deu a luz a uma criança e foi levada à presença do rei, que a interrogou? “De quem é esta criança?” Ela respondeu: “É do Jurayj”. O rei  perguntou: “O homem do ermitério?” Sim, respondeu ela. Ele ordenou para destruírem o ermitério e para trazerem o homem para junto dele. O seu ermitério foi golpeado com machados, até que entrou em colapso. As mãos do Jurayj foram amarradas com uma corda ao seu pescoço. Arrastado, desfilou ao longo da rua das prostitutas. Elas estavam a olhar para ele, juntamente com outras pessoas. Ele as viu e esboçou um sorriso  (pensando na contra prece que ouviu da sua mãe).

O rei perguntou: “Conheces o que esta mulher reivindica?” Jurayj perguntou: “O que é que ela reivindica?” Ele disse: “Ela reclama de que tu és o pai da recém-nascida”. Jurayj perguntou à mulher: “É isto que tu reivindicas?” Sim, respondeu ela. Ele perguntou onde está a criança. Eles responderam: “É o que está no seu colo”. Juraij voltou-se para a criança e perguntou-lhe: “Quem é o teu pai?” A criança respondeu: “O pastor do gado”.

O rei (para recompensar o erro cometido) perguntou a Jurayj: “Podemos reconstruir o teu ermitério com ouro?” Respondeu Juraij: “Não”. O rei voltou a perguntar: “Então de que matéria o poderemos reconstruir?” E ele respondeu para o erguerem de pé, tal como era antes”. Curioso, o rei perguntou: “O que te fez sorrir?” Respondeu: “Coisas que eu sei… Fui apanhado pela prece da minha mãe”. Então ele lhe contou o sucedido. Imam Bhukari – Al-Adab Al-Mufrad.

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41.

“Wa ma alaina il lal balá gul mubin”  “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. 10.10.

Abdul Rehman Mangá

 

 

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