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036.01 – A CONTRIBUIÇÃO DAS MINORIAS PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL

036.01 – A ORIGEM DOS MUÇULMANOS EM PORTUGAL

A CONTRIBUIÇÃO DAS MINORIAS PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL

Teor da minha intervenção efectuada no congresso dos Professores de História, que se realizou na cidade de Guimarães – Portugal, no âmbito da “Capital Europeia da Cultura”. O tema debatido foi a “Contribuição das minorias para a construção da identidade nacional”. É um assunto que se adapta em qualquer país, onde os muçulmanos constituem a minoria.

“MINHAS SENHORAS, MEUS SENHORES,

ASSALAMO ALEIKUM

Esta é a saudação dos muçulmanos, que significa – QUE A PAZ DE DEUS ESTEJA CONVOSCO. Utilizamos esta expressão, para saudarmos os nossos irmãos de fé e não só. Saudamos tantas vezes quantas as que encontrarmos com o mesmo irmão ou irmã, no mesmo dia. É uma forma de aumentarmos a harmonia e a amizade entre nós.

Quando Deus, o Altíssimo, criou Adão, que a Paz de Deus esteja com ele, disse-lhe: “Dirige-te aos anjos que estão sentados acolá e atenta para o modo como te vão saudar, pois será também o modo de saudares a tua descendência”. Adão se aproximou dos anjos e disse: “A Paz esteja convosco!”. E eles responderam: “A Paz e a Misericórdia de Deus estejam contigo!”.

O significado desta belíssima manifestação de harmonia e de irmandade, foi desvirtuada e deu origem no nosso país, ao termo “Salamaleque”, cujo significado é a mesura exagerada, fazer reverências a fim de se conseguir o que se deseja, ou saudação interesseira. É por isso que em Portugal se diz “deixa de salamaleques”, quando alguém exagera nas palavras interesseiras.

Em nome do Centro Cultural Islâmico do Porto, agradeço à Associação de Professores de História o convite que me foi endereçado para falar acerca da participação dos muçulmanos residentes em Portugal,  na construção da identidade nacional.

Aproveito a oportunidade para saudar o berço da nação, a cidade de Guimarães, em especial pela celebração da Capital Europeia da Cultura e pelos inúmeros eventos culturais que vêm sendo realizados.

Durante os anos cinquenta, D. Sebastião Soares Resende, o primeiro Bispo da Beira, segunda cidade de Moçambique, preconizava, em defesa dos desfavorecidos, um ensino igual para todos, quer fossem indígenas, indianos, mestiços ou europeus. As relações laborais então desenvolvidas pelos empregadores, defendiam que os negros estavam destinados ao trabalho mais pesado. Para alterar esta situação, o Bispo não encontrou muitos aliados dentro da igreja católica e muito menos no governo central colonial. O então ministro do ultramar, Dr. Adriano Moreira, compreendeu os anseios do Bispo e em 1961, acabou com o estatuto do indigenato, que impedia a maioria das populações das províncias ultramarinas de adquirem a nacionalidade portuguesa e do direito à educação. Com a influência das preocupações do Bispo D. Sebastião, em Agosto de 1962 são criados os Estudos Gerais de Moçambique e Angola para instauração do ensino técnico, politécnico e superior. Em 1962 foi fundada em Lourenço Marques a primeira universidade, tendo como reitor o Dr. Veiga Simão. Foi assim possível juntar, na mesma sala de aulas, alunos de todas as cores, ávidos da procura de conhecimentos técnicos, que permitissem melhorar as condições precárias em que se encontravam com as suas famílias.

Antes de Portugal viver a época da globalização, nas suas ex-colónias, nomeadamente em Moçambique, vivia-se uma diversidade cultural e religiosa, com a multiplicidade de cores, raças e religiões. Os antigos colonos foram para Moçambique à procura de melhores condições de vida. Moçambique também recebeu imigrantes dos 3 estados indianos outrora pertencentes a Portugal, Goa Damão e Diu. Muitos deles constituíram famílias, casando com as nativas, dando origem a filhos mestiços. A coexistência pacífica entre as diversas raças, culturas e religiões, fazia inveja aos nossos vizinhos Sul-Africanos, cujo povo sofria da segregação racial.

Apesar das facilidades de acesso ao ensino em Moçambique, de acordo com as capacidades financeiras de cada um, alguns jovens muçulmanos, de origem indiana, por volta dos anos sessenta, preferiram fazer o trajecto contrário ao dos colonos, emigrando para a capital do império, à procura das melhores universidades. Acabaram por cá ficar, dando origem às primeiras famílias de muçulmanos em Portugal. Em 1968, o referido grupo de estudantes, cria a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL).

Com a independência de Moçambique, muitos muçulmanos, na maioria de origem indiana, abandonaram Moçambique, acabando por escolher Portugal como destino privilegiado. A eles juntaram-se os refugiados da Guiné Bissau, a pretexto de terem sido militares Portugueses, e, por tal, sujeitos às perseguições pelos seus conterrâneos.

Os Moçambicanos e os Guineenses foram os primeiros percursores da Comunidade Islâmica em Portugal. Sentiram dificuldades que foram surgindo ao longo dos anos, nomeadamente a discriminação nas escolas e nos empregos. Os portugueses, habituados ao catolicismo, desconfiavam destes imigrantes que traziam com eles uma religião diferente. Porque os recém-chegados tinham em comum a língua Portuguesa e porque estavam habituados a conviver nas suas terras de origem, com outras raças, religiões e culturas, a desconfiança foi-se desvanecendo, dando lugar ao diálogo. Eles obtiveram a nacionalidade Portuguesa, por direito.

O serviço militar obrigatório cumprido pelos muçulmanos, durante as guerras de libertação nas antigas colónias, a par de outros sentimentos, aumentou o sentimento da identidade, nacional. Apesar de se terem passado muitos anos, ainda estão nas nossas mentes os momentos vividos nas longas batalhas em que muitos voltaram marcados definitivamente e outros perderem a vida.

Com a globalização, a Comunidade Islâmica viu alargada a diversidade de raças e nacionalidades. Vindos dos países árabes, de África, da India, do Paquistão do Bangladesh, da Turquia e dos países próximos da União Soviética, a diversidade linguística e cultural aumentou, mas todos professando a mesma religião, de que não há outra divindade senão Allah (Deus) e que Muhammad é Seu último mensageiro. Uma multiplicidade de culturas, que confunde muitas vezes os menos atentos, levando-os a pensar que muitos dos usos e costumes fazem parte dos rituais da religião islâmica.

A vinda destes novos imigrantes trouxe problemas acrescidos à nossa integração como minoria. As línguas de origem dificultavam-lhes a integração, a escolarização das crianças e também a obtenção de empregos. A discriminação e a desconfiança voltaram a sentir-se, pois a visibilidade era maior, devido aos usos e costumes, ao vestuário e aos diferentes idiomas que se ouviam em todos os locais. Foi necessário organizarem-se aulas de Português, tanto para os adultos como para os mais novos. Graças ao apoio de diversas associações, foi possível colmatar esta situação.

Com muitos anos de trabalho e de permanência no país, alguns imigrantes conseguiram obter a nacionalidade Portuguesa e acabaram por solicitar o agrupamento familiar.

A procura das melhores condições de vida levou a que muitos muçulmanos se espalhassem pelo país, deixando Lisboa de ser a cidade principal de acolhimento. Nas novas localidades para onde foram viver, tiveram o cuidado de ficar perto uns dos outros ou de procurar alojamento perto dos locais de culto. A proximidade das mesquitas torna-se importante para que as 5 orações diárias possam ser efectuadas, de preferência em congregação. A logística, para que os filhos possam continuar a aprender as bases da religião, é também outro factor determinante para as concentrações. Outro aspecto não menos importante é o da existência de um talho que forneça alimentos halal, isto é, carne de animais abatidos em nome de Deus, o Único, e devidamente sangrados.

A partir dos anos oitenta, com alguma curiosidade, os residentes das cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia começaram a assistir à chegada dos muçulmanos. Com o aumento dos crentes e com a Comunidade Islâmica de Lisboa distante, os residentes optaram por criar uma associação, a que deram o nome de Centro Cultural Islâmico do Porto, Pessoa Colectiva Religiosa, a qual se encontra devidamente autorizada e registada. Para além das actividades religiosas e sociais, esta associação é também responsável pelo diálogo inter-religioso a nível do norte do país.   

A par dos outros países europeus, Portugal, com a independência das suas colónias e com a globalização, começou a viver uma nova realidade, alterando o conceito de nacionalidade assente nos pilares da religião católica. Portugal adaptou-se a este multiculturalismo, sem grandes sobressaltos. Três importantes factores contribuíram para este sucesso: i) a comunidade muçulmana ser constituída maioritariamente por crentes oriundos de Moçambique e da Guiné Bissau; ii) Terem em comum a língua Portuguesa; iii) Os dirigentes e os responsáveis religiosos das comunidades serem maioritariamente compostos por quadros, empresários e clérigos integrados na sociedade portuguesa. Mas ainda há muito caminho a percorrer, apesar dos passos que já foram dados para a liberdade religiosa. Ainda nos encontramos longe da igualdade de tratamento.

Sem deixarem de praticar a religião e de procurarem manter as heranças culturais, a maioria dos muçulmanos a viver em Portugal sente que está inserida na sociedade, trabalhando e contribuindo para o engrandecimento do País. Os da primeira geração, mesmo os mais conservadores em termos religiosos e culturais, com todas as dificuldades económicas e financeiras, deram aos filhos a possibilidade de estudarem e tirarem cursos técnicos ou superiores, de acordo com as suas capacidades financeiras. Concluídos os cursos e as especializações, são hoje gestores e técnicos conceituados no nosso meio empresarial. O Profeta Muhammad, que a Paz de Deus esteja com ele, encorajou-nos a procurar o conhecimento, nem que tenhamos de viajar até à china. Jesus, que a Paz de Deus esteja com ele, também Profeta e Mensageiro do Islão, referiu: “Deus gosta que os Seus servos aprendam um ofício que os torne independentes”. Relato de Abu Bakr Ibn Abi al-Dunya.

Os pais alertam sempre os seus filhos para que a integração na sociedade portuguesa não seja causadora da perda dos valores morais e religiosos. Apelam para a conservação das raízes culturais. Os mais jovens sabem que fazem parte da identidade portuguesa, apesar de algumas vezes se sentirem discriminados na sociedade e no mercado de trabalho. Fazem parte de todas as profissões, advogados, contabilistas, economistas, médicos e também comerciantes e trabalhadores da construção civil.

Em Portugal, a palavra “emigrar” está agora na moda. Os jovens muçulmanos sentem também dificuldades na obtenção de empregos e procuram colocações noutros países. Outros sentem a discriminação por causa da religião e pelos nomes que outros dizem ser difícil de pronunciar. No entanto, os responsáveis das comunidades continuam a encorajar os seus membros para continuarem a colaborar para que Portugal possa ultrapassar a crise em que se encontra. Somos também Portugueses e a nós também compete participar no desenvolvimento do país.

Mas nem tudo corre bem, porque alguns crentes, principalmente por motivos económicos, não conseguiram que os seus filhos adquirissem a escolarização necessária, arma importante para a luta contra a pobreza e contra o obscurantismo. Um dos 5 pilares do Islão é o Zakat, a contribuição para os mais necessitados. Os muçulmanos são como um corpo, quando um membro se encontra doente, todo o corpo se ressente. Com as verbas recolhidas, os responsáveis das comunidades procuram atenuar os flagelos da fome e incentivam os mais velhos para não descurarem os benefícios da escolarização. Compete ao Estado, melhorar as condições, para que todos os seus cidadãos, em especial as crianças, possam beneficiar de acesso à formação escolar. É também responsabilidade do Estado dar especial atenção aos que se encontram marginalizados, vivendo em condições de extrema pobreza, dando-lhes a possibilidade de tirarem cursos técnicos. Não gostaríamos de ver os nossos jovens cometerem actos de violência, por se sentirem duplamente revoltados, para além da pobreza, por se considerarem marginalizados por questões de cor, raça e religião. Não só me refiro à comunidade muçulmana, mas a todos os que, vivendo em Portugal, se encontram nestas condições. Se nada for melhorado, este mal poderá continuar nas gerações seguintes, acabando os lesados por se manifestarem fora dos limites prescritos pela lei e pelos ensinamentos religiosos. Com a agravante que outros olhos possam confundir estas manifestações de desagrado com o fundamentalismo. A jihad é o esforço no caminho de Deus. A jihad pode ser o esforço de um crente, na procura de conhecimentos escolares, com vista à obtenção de melhores condições de vida para si e para os seus. Neste caso particular, a melhor jihad é não ter medo de, cara a cara, proferir uma palavra justa, perante um governante injusto.

Vários estudos, efectuados pelas universidades europeias, referem que é a religião islâmica a que mais está a crescer em todo o mundo. Dentro de 5 a 6 décadas, na europa, os muçulmanos constituirão a maioria. O referido crescimento não se limita aos nascimentos. Só em França, os convertidos ao Islão, já ultrapassam os 100.000. Alguns nacionalismos advogam o regresso da pureza da raça. Continuam as provocações, a pretexto da liberdade de expressão, uma conquista importante da democracia. Mas não podemos utilizar insultos nem ultrapassar os limites, onde começam os direitos dos outros. Alguns muçulmanos, contrários aos ensinamentos religiosos, manifestam-se duma forma violenta, acendendo ainda mais a fogueira da discórdia. Esquecem-se de que o Profeta Muhammad (Que a Paz de Deus esteja com ele), quando foi provocado e agredido, nunca respondeu com violência, mas sempre esperançado de que os seus agressores renunciariam à idolatria e se voltariam para Deus.

Às provocações que lemos na imprensa local, exercemos os nossos direitos de resposta, enviando artigos com esclarecimentos e o nosso ponto de vista. Salvo raras excepções, na maioria das vezes, os nossos artigos não são publicados. Parafraseando um ditado popular, só é notícia relevante quando um homem morde um cão.

Todas estas situações são preocupantes, porque perspectivam um futuro cheio de intolerância. A solução para esta incerteza é o de estimular e criar condições para que os jovens, de todos os quadrantes sociais e religiosos, possam aceder à educação, ao convívio e ao conhecimento mútuo. A pobreza não pode ser um entrave para a escolarização. Os governos deverão criar um protocolo com as comunidades islâmicas para que incrementem e incentivem a escolarização dos mais necessitados. Podem ter medo dos homens, mas não tenham medo do Islão.

A Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, conhecida por Colégio Islâmico de Palmela, funciona como uma escola oficial reconhecida e acompanhada pelo Ministério da Educação. A par da formação religiosa, os alunos são preparados para ascenderem às universidades se assim o desejarem. O respeito, a responsabilidade e a disciplina, são os três princípios que regem esta instituição de ensino, procurada não só pelos muçulmanos, como também por outros credos. No ranking das melhores escolas, vem obtendo as melhores classificações. Com cerca de 200 estudantes, nas horas reservadas à religião, os alunos de outros credos, são ocupados com apoio extra-escolar. O exemplo desta Escola Básica, deveria estender-se às principais cidades do país.

Em Portugal, os muçulmanos vivem em paz com os seus vizinhos, professam a religião e procuram com tolerância dissipar as informações erradas transmitidas pela comunicação social. Para isso, os responsáveis da comunidade islâmica, tanto no Centro/Sul como no Norte, vêm desenvolvendo trabalhos de divulgação junto às escolas, universidades e associações, com vista à explicação dos fundamentos da religião islâmica, para que também percebam que o islão não tem nada a ver com as manifestações violentas e com os atentados em nome da religião. A violência é própria de qualquer ser humano, independentemente da sua filiação religiosa, quando não consegue controlar os seus instintos maléficos.

A existência de várias culturas e religiões é sinónimo de que não vivemos a sós neste mundo. Uma só cultura e uma só religião, seria uma monotonia, como se todos estivéssemos vestidos de amarelo. A diversidade de cores, de costumes, da comida e do vestuário, aguçam a curiosidade para conhecermos o que é diferente e encoraja-nos a viajar por recantos mais longínquos e desconhecidos. Aprendemos sempre algo de novo com outras culturas. Lembro-me duma passagem que me foi contada por um professor de história, nos meus tempos de estudante em Lourenço Marques, hoje Maputo. Estava Camões doente, às portas da morte e com vontade de fumar um cigarro. Deitado na cama, com dificuldades em mover-se, pediu ao seu empregado africano, para lhe acender um cigarro. O empregado retirou-se do quarto e dirigiu-se à fogueira, na palma da mão esquerda colocou areia para não se queimar e, com a ajuda de um pau, colocou uma pequena brasa por cima da areia, que permitiu a Camões acender o cigarro. Agradecido, Camões exclamou: “mesmo às portas da morte, estamos sempre a aprender”. 

É importante conhecermos o próximo. Com tolerância mútua, criarmos um diálogo honesto, a fim de encontrarmos a paz e a tranquilidade. Só assim continuaremos a construir um Portugal melhor para os nossos filhos e para as gerações vindouras. Cabe às associações de todos os quadrantes darem os passos necessários para a concretização destes objectivos, promovendo debates e sessões de esclarecimento para os seus membros e abertos a toda a população. É de louvar o trabalho já desenvolvido por algumas associações, que promovem diversos encontros, para difusão da arte, literatura e cultura em geral. Também de louvar, a preocupação dos professores de história e de religião e moral para darem aos seus alunos o conhecimento de outras religiões, promovendo visitas e encontros nas sinagogas, mesquitas e outros templos.

O nosso local de culto na cidade do Porto, é visitado anualmente, por mais de 2.000 alunos do ensino secundário, no âmbito das disciplinas de história e de religião e moral. Nas referidas visitas, de duração de cerca de quarenta e cinco minutos, os alunos são informados dos diversos aspectos ligados aos fundamentos e ao culto islâmico.

Portugal está a redescobrir o arabismo, um importante contributo para o enriquecimento da língua e cultura portuguesas. Os muçulmanos, durante o período da ocupação, deixaram um valioso legado histórico, cultural e arquitectónico. O antigo termo português “Albaraque”, que significa bênção, gentileza, é a palavra bem típica que simboliza o convívio, tão importante para cimentar o encontro entre culturas. A cozinha alentejana foi influenciada pela cozinha árabe, com muitos sabores mediterrânicos. O rei poeta Al-Mutamid, nasceu em Beja, foi rei de Silves e do Sul de Espanha. Os legados árabes em Mértola e Beja, os reservatórios de água em Silves e as antigas mesquitas transformadas em igrejas, lembram a presença dos muçulmanos nos séculos anteriores. No vocabulário Português, existem cerca de 600 palavras com origem no Árabe, como por exemplo algarve, alfinete, algarismo azeitona, laranja e azeite. Um termo muito utilizado na língua Portuguesa, o “OXALÁ”, tem origem no árabe “IN SHA ALLHA”, se Allah quiser.

Aproveito a oportunidade para em nome do Centro Cultural Islâmico do Porto, da Comunidade Islâmica de Lisboa e das diversas associações das minorias muçulmanas, apresentar a todos os congressistas e a todos os associados, os meus sinceros votos da continuação de um bom trabalho e que obtenham deste congresso as motivações necessárias para continuarem com maior empenho o vosso nobre trabalho, o de ensinar. Issa, Jesus, que a Paz de Deus esteja com ele, também Profeta do Islão referiu: “aquele que aprende, pratica e transmite sabedoria, será chamado grande no reino dos céus. Homem do saber, aprende da sabedoria o que não conheces e ensina ao ignorante o que aprendeste”. Relatos de Ahmad Ibn Hambal e de Abu Nu’ayn al-Isbahani.

Que a Paz de Deus esteja com todos.

Abdul Rehman Mangá

05 de Outubro de 2012.”