042-01 – A POESIA DOS PAÍSES ÁRABES

 

042.01 – A POESIA DOS PAÍSES ÁRABES

Fui convidado pela Livraria Poetria, na cidade do Porto – Portugal, para falar acerca da Poesia dos Países Árabes e da situação de revolta que está a acontecer nos respectivos países. Antes da leitura das poesias por parte de outros convidados, fiz a seguinte intervenção:

“Seguindo a minha tradição islâmica, cumprimento-vos com “Assalamo Aleikum” – Que a Paz de Deus esteja convosco. Esta é a forma dos muçulmanos se cumprimentarem. Usamos e “abusamos” desta saudação! Em Portugal, esta manifestação de harmonia foi desvirtuada, dando a origem à palavra “Salamaleque”, que literalmente significa mesura exagerada ou saudação interesseira. Não é só de “salamaleques” que nos ligam aos Árabes, conforme poderão ouvir mais adiante.

O Islão incentiva a procura do conhecimento. No Alcorão encontramos centenas de vezes a palavra caneta, ler, escrever e seus derivados. A primeira revelação do Alcorão começa com o seguinte versículo:

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042 – A POESIA DOS PAÍSES ÁRABES

042 – A POESIA DOS PAÍSES ÁRABES

Em Portugal, no século 11, nasceu um grande poeta Luso – Árabe, o AL MU’TAMID. De nome completo, Muhammad Ibn Abbad Al-Mu’tamid, conhecido como Rei-Poeta de Sevilha. Nasceu em Beja, foi governador e Califa de Silves e depois soberano de Sevilha. Encontra-se sepultado em Agmat, Marrocos, perto de Marraquexe …

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037.01 – A MOSTRA DAS RELIGIÕES EM PRISCOS – BRAGA – PORTUGAL

037.01 – A MOSTRA DAS RELIGIÕES EM PRISCOS – BRAGA

O Centro Cultural Islâmico do Porto, em representação dos muçulmanos residentes em Portugal, participou na Aldeia das Religiões”, que se realizou em Priscos – Braga, nos dias 25 a 28 de Outubro de 2012, no âmbito da Capital Europeia da Juventude. É a segunda vez que, a nível mundial, se realiza este tipo de encontros. A primeira experiência teve lugar no Brasil em 1992, apenas por uma noite. Em Priscos, uma aldeia pacata à entrada de Braga, os visitantes puderam visitar e dialogar com as diferentes confissões religiosas durante 4 dias, entre as 10 horas e às 22 horas.

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037 – A ALDEIA DAS RELIGIÕES

 

037 . A ALDEIA DAS RELIGIÕES

O Centro Cultural Islâmico do Porto, em representação dos muçulmanos residentes em Portugal, participou na “Aldeia das Religiões”, que se realizou em Priscos – Braga, nos dias 25 a 28 de Outubro de 2012, no âmbito da Capital Europeia da Juventude. É a segunda vez que, a nível mundial, se realiza este tipo de encontros. A primeira experiência teve lugar no Brasil em 1992, apenas por uma noite. Em Priscos, uma aldeia pacata à entrada de Braga, os visitantes puderam visitar e dialogar com as diferentes confissões religiosas durante 4 dias, entre as 10 horas e às 22 horas.

No capitulo 037.01, Leia os diversos diálogos que mantivemos com os visitantes, acerca do islão e dos seus fundamentos.

034.01 – AS FINANÇAS NO ISLAM

034.01 – AS FINANÇAS NO ISLAM

Para tornar as transacções comerciais mais justas e para proteger os mais desfavorecidos, há mais de 1.400 anos, que o Islão proibiu a especulação financeira. Procura-se assim evitar que, quem tem posses financeiras, se aproveite dos necessitados.

O dinheiro deve ser utilizado para criar riqueza e fazer desenvolver a economia do país e do mundo. Não é proibido ganhar dinheiro, desde que a actividade desenvolvida não seja contrária aos ensinamentos religiosos. A usura – cobrança e o recebimento de juros, é proibida no Islão. O dinheiro deve circular, criando riqueza, mas nunca duma forma especulativa, como aconteceu recentemente nos grandes meios financeiros ocidentais, cujas práticas deram origem à crise financeira global.

Refere o Cur’ane: “Os que praticam a usura, só serão ressuscitados como aquele que foi perturbado por Satanás, isso porque disseram que a usura é o mesmo que o comércio. No entanto Deus consente o comércio e veda a usura.” – 2: 275.

Os bancos podem desenvolver as suas actividades financeiras, mas sem qualquer cobrança de juros. Um banco Islâmico pode investir num negócio com um agricultor, dividindo com ele os lucros ou os prejuízos. No caso de insucesso, não faz sentido que seja só o agricultor a assumir as perdas. O banco ao emprestar o dinheiro para uma actividade, envolve-se no investimento de várias formas, como se tratasse do seu próprio negócio. Este envolvimento obriga o banco a tomar as devidas precauções. O banco e o seu cliente, estabelecem uma relação societária, até a conclusão da operação. O valor de um bem financeiro, deve reflectir o seu valor real. Por exemplo, no caso duma hipoteca, se o valor do imóvel se desvalorizar, o valor da hipoteca também deverá ser corrigido.

Outra regra é de que as empresas com endividamento superior a um terço do seu valor de mercado, não podem beneficiar dos serviços de um banco.

Quando um muçulmano necessita de matérias-primas para a sua actividade, o banco pode adquiri-las e vende-las com uma margem de lucro previamente negociado. No arrendamento financeiro, o banco adquire os equipamentos, máquinas ou imóveis e os disponibiliza aos clientes, com base numa renda futura.

No Leasing, o cliente tem a opção de compra dos bens arrendados. Os bancos concedem assim os empréstimos, sem cobrança de juros, combinando diversas maneiras financeiras, seguindo as exigências da economia moderna.
Todos os serviços dos bancos e de outras instituições financeiras, devem ser supervisionadas por um grupo de muçulmanos, conhecedores da Sharia – Lei Islâmica.

São ilícitos os negócios que envolvam as actividades proibidas pelo Islão, nomeadamente, a carne de porco, as bebidas alcoólicas, os jogos de azar, a pornografia. A trading especulativa e as transacções de que não envolvam activos são também proibidas. Incluem-se nesta proibição, os derivados especulativos as titularizações sintéticas, isto é, sem qualquer base de sustentação.

Conscientes do crescimento da religião Islâmica em todo o mundo e do respectivo mercado, os bancos ocidentais estão a criar fundos e outros negócios, seguindo a sharia, direccionados para os muçulmanos dos países maioritariamente muçulmanos e também para a grande comunidade muçulmana residente, como é o caso do reino Unido. Os bancos  que seguem a lei islâmica, também são procurados por clientes que não seguem a religião Islâmica. Os mercados financeiros islâmicos, também são uma realidade, nomeadamente nos países árabes e na Malásia e Singapura.  

Desde o período inicial do islão, utiliza-se  o sukuk, plural de sakk (lê-se chek), que deu origem à palavra cheque, tal como o conhecemos hoje. Os sukuk são documentos que representam contractos ou transmissão de direitos, obrigações ou fundos, feitos sempre em conformidade com a Sharia. É vulgarmente utilizado para as transacções financeiras e comerciais. Existe alguma reticência por parte de alguns elementos muçulmanos que compõem o grupo dos que supervisionam os movimentos financeiros, porque consideram que alguns sukuk podem incorporar juros encapotados. No entanto, está vulgarizada a utilização destes meios financeiros, incluindo nos bancos ocidentais e nos respectivos mercados de capitais.

O Islão incentiva a procura do conhecimento, não só para conhecermos melhor  os fundamentos da religião,  mas também para procurarmos melhorar as nossas condições de vida, de modo a não recorrermos à mendicidade. Por diversos motivos, alguns muçulmanos acabam por não obter as condições de igualdade referidas nas constituições dos seus países, acabando por não terem meios financeiros para a sua sobrevivência e da família. Para obviar estas situações, o Islão instituiu o Zakate e o Sadaqa, que são referidos inúmeras vezes no Cur’ane e nos ditos do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam).

O Zakat – a contribuição da purificação,  é o quarto dos 5 pilares do Islão.  Todo o muçulmano com capacidade financeira, deve ajudar os necessitados. Todos os anos, deve fazer o balanço da sua situação financeira. Dos valores que recebeu, como vencimentos e outras receitas e dos valores amealhados, deve deduzir as despesas efectuadas para seu benefício e da família. Do que lhe resta, dá aos pobres com a mão direita, o que a mão esquerda não sabe, o correspondente a 2,5% do referido saldo. O ouro e prata, também pagam o zakat, na mesma percentagem. São incentivadas outras formas de distribuição da riqueza, nomeadamente através do sadaqa – a contribuição facultativa.

Sobre o assunto refere o Cur’ane: “Aqueles que gastam dos seus bens, tanto de dia como à noite, quer secreta, quer abertamente, obterão do Senhor, a sua recompensa.” 2 : 274

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 36:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. Cur’ane 10.10. “Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41

Abdul Rehman Mangá

 

034 – AS FINANÇAS ISLÂMICAS

034 – AS FINANÇAS ISLÂMICAS

Para tornar as transacções comerciais mais justas e para proteger os mais desfavorecidos, há mais de 1.400 anos, que o Islão proibiu a especulação financeira. Procura-se assim evitar que, quem tem posses financeiras, se aproveite dos necessitados.

Refere o Sagrado Cur’ane: “Os que praticam a usura, só serão ressuscitados como aquele que foi perturbado por Satanás, isso porque disseram que a usura é o mesmo que o comércio. No entanto Deus consente o comércio e veda a usura.” – 2: 275.

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023.1 – A (SAGRADA) FAMÍLIA NO ISSLAM

 

023.1 – A (SAGRADA) FAMILIA NO ISSLAM

A família é o resultado duma relação  estável  entre um homem e uma mulher, unidos de livre vontade  num  matrimónio, religioso ou civil. Os filhos gerados desta união, educados e protegidos, farão também parte da família.  A família constitui a base fundamental duma sociedade, dum povo e dum país.  Na Religião Islâmica, o conceito de família vai mais longe ao abranger os nossos avós e  os direitos dos restantes familiares (nomeadamente os irmãos  dos nossos pais) e  também os direitos dos nossos vizinhos. É-nos recomendado para visitarmos e tratarmos bem os amigos dos nossos pais. Aisha e Ibn Omar (Que Allah esteja satisfeito com eles) referiram que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) lhes transmitiu a seguinte preocupação: “O anjo Gabriel recomendou-me  frequentemente no que se refere aos direitos dos vizinhos, que receei que estes também seriam declarados como herdeiros)”.

Quando estamos na barriga da nossa mãe, durante “longos” 9 meses, ficamos aconchegados, com uma temperatura ambiente adequada e alimentados. Ao longo desse tempo, a nossa mãe nos carrega, sofrendo com isso muitas privações. O nosso nascimento tem como contrapartida o sofrimento e a dor da nossa mãe.

Ainda pequenos, continuamos a ser alimentados com o leite materno e o tempo que passamos com a nossa mãe, faz com que exista entre nós, um carinho especial e  uma cumplicidade que nos vai acompanhar ao longo da nossa existência. É por isso que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), respondeu  3  vezes “MÃE” à questão: “A quem devemos servir e cuidar, isto é,  a quem merece a maior consideração?” (Tirmizi e Abu Daud).

No nosso pai, vemos  o garante da nossa educação, do nosso sustento e da nossa segurança.

Com o pai, com a mãe e também com os restantes familiares,  passamos longos anos, aprendendo a caminhar, a dizer as primeiras palavras, a conhecer a existência de Allah, o nosso Criador e Sustentador e a amar os nossos familiares e amigos. Mesmo visitando as casas de outras pessoas mais favorecidas, acabamos sempre  por nos sentir bem, na nossa própria casa.

E Nós ordenamos ao homem que fosse bondoso para seus pais. Sua mãe transportou-o no ventre em fraqueza sobre fraqueza, amamentando-o durante dois anos. Dá-me, a Mim e a teus pais, os teus agradecimentos. Para Mim voltareis.” Cur’ane (31:14). “Ó vós que credes! Salvai a vós mesmos e vossas famílias do fogo (do inferno).” Cur’ane (66:6).

Na maior parte das  sociedades materialmente desenvolvidas, a permissão de  casamentos entre dois homens ou duas mulheres, o aborto e a degradação do matrimónio, representam o colapso da  família tradicional. Assistimos nos nossos dias os pais idosos a serem “abandonados” nos lares e só “visitados” nas alturas dos respectivos funerais, ignorando todos os cuidados e carinho que eles lhes prestaram quando pequenos.

A decadência dos valores morais, a satisfação dos prazeres em detrimento da coesão da família e da religiosidade,  conduzem o homem à sua perdição. Foi o que aconteceu com alguns dos  povos anteriores que desprezaram as orientações dos seus Profetas, praticando  actos ilícitos e imorais, acabando por serem destruídos, conforme é referido em alguns versículos do Cur’ane.

O Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu que entre os 7 tipos de pessoas que não entrarão no paraíso, estão os que  praticam o homossexualismo.

A Bíblia refere: “Não coabitarás sexualmente com um varão; é uma abominação” – Levitico 18:22.

É importante continuarmos a manter as ligações familiares, tal como faziam os nossos pais e avós, pois isso aumentará a satisfação do nosso Senhor, que nos concederá o nosso sustento e  a felicidade no lar.

Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. “Wa ma alaina il lal balá gul mubin”  “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. Cur’ane 10.10.

Abdul Rehman Mangá     

 

23 – A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO ISLAM

 

23 – A importância da família no islão

A família é o resultado duma relação  estável  entre um homem e uma mulher, unidos de livre vontade  num  matrimónio, religioso ou civil. Os filhos gerados desta união, educados e protegidos, farão também parte da família.  A família constitui a base fundamental duma sociedade, dum povo e dum país.  Na Religião Islâmica, o conceito de família vai mais longe ao abranger os nossos avós e  os direitos dos restantes familiares (nomeadamente os irmãos  dos nossos pais) e  também os direitos dos nossos vizinhos.

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O DIREITO DOS FILHOS

022 – O DIREITO DOS FILHOS

O nascimento duma criança, seja ela uma menina ou um rapaz, é sempre motivo de alegria para os pais, avós e restantes familiares. Um ou outro pai, quando recebem a notícia de que nasceu uma menina, como primeiro descendente, ficam tristes, pois preferiam um rapaz. São ainda ideias que persistem em muitos países, mesmo nos considerados mais desenvolvidos. No entanto, com o evoluir do tempo, os pais acabam por se afeiçoar à criança, ao ponto de ser a filha querida.

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022.01 – O DIREITO DAS CRIANÇAS – A RESPONSABILIDADE DOS PAIS

022.01 – O DIREITO DAS CRIANÇAS – A RESPONSABILIDADE DOS PAIS

O nascimento duma criança, seja ela uma menina ou um rapaz, é sempre motivo de alegria para os pais, avós e restantes familiares. Um ou outro pai, quando recebem a notícia de que nasceu uma menina, como primeiro descendente, ficam tristes, pois preferiam um rapaz. São ainda ideias que persistem em muitos países, mesmo nos considerados mais desenvolvidos. No entanto, com o evoluir do tempo, os pais acabam por se afeiçoar à criança, ao ponto de ser a filha querida.

Todos os recém-nascidos são bem-vindos e gozam dos mesmos direitos, perante os parentes e a sociedade. A religião Islâmica, contém ensinamentos que abrangem todas as etapas da vida, que se iniciam desde o nascimento. Vamos recordar alguns aspectos referidos no Cur’ane e nos ensinamentos do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam – Que Allah derrame as bênçãos sobre ele), relacionados com os direitos das crianças e a responsabilidade dos pais.

O Profeta Zakariya (Aleihi Salam – Que a Paz de Allah esteja com ele), ansiava ter um filho, apesar de ser velho e a mulher ser estéril. Receava  pela degradação da conduta religiosa dos seus parentes que lhe haviam de suceder, levantou as mãos e pediu a Allah um sucessor para continuar com a obra dos Profetas anteriores. Allah ouviu as suas preces conforme refere o Cur’ane: Foi-lhe dito: Ó Zakariya! Nós trazemos-te boas novas de um filho, cujo nome é Yahya (João Baptista); nunca demos este nome a ninguém antes dele”. 19:7. É sempre uma alegria, recebermos a notícia do nascimento de um filho e por isso, os familiares e amigos devem felicitar os pais “babados”, compartilhando a alegria, pela vinda de mais um membro da família.

A criança recém-nascida, após o corte umbilical, deve ser lavada e o cordão umbilical enterrado. É a confirmação da preocupação do Islão, no que se refere à higiene.

O Azan e o Iqámah (chamamento para a oração), em voz baixa, devem ser efectuados nos ouvidos direito e esquerdo, respectivamente. Esta é uma tradição do nosso Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) que assim fez, depois do nascimento do seu neto Hassan Ibn Ali (Que Allah esteja satisfeito com ele) – Tirmizi. Qualquer muçulmano o poderá fazer, mas de preferência, deve ser dada a prioridade a uma pessoa piedosa/religiosa. A criança recebe/ouve as primeiras palavras, que enaltecem a grandeza do seu Criador e que chamam as pessoas para a oração e para a felicidade. Após o azan, deve-se fazer uma prece, para que Allah, nosso Criador, proteja a criança e que a encaminhe sempre para o bom caminho e que seja temente a Allah.

É tradição também fazer o Tahnik – esmagar com os dentes um pedaço de tâmara ou fruta doce e colocar na boca da criança. Os companheiros do Profeta, que tinham uma grande admiração e amor por ele, sempre que nascia uma criança, levavam-na para junto dele. O Profeta (Salalahu Aleih Wassalam) fazia o Tahnik e depois fazia uma prece para ela. – Bukhari e Muslim. Nota: Outra alternativa é esmagar o pedaço da tâmara ou da fruta, utilizando, por exemplo duas colheres, ou qualquer outro utensílio.

Cabe aos pais a responsabilidade de dar um bom nome à criança e de lhe ensinar as boas maneiras. Abu Darda (Radiyalahu an-hu – Que Allah fique satisfeito com ele), referiu que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “No dia do julgamento final, sereis chamados por vossos nomes e dos vossos pais. Por isso escolhei bons nomes para vós.” – Abu Daud. Segundo Abdullah Ibn Umar (Radiyalahu an-hum), o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: Perante Deus, o melhor nome é Abdullah (Servo de Allah) e Abdul Rahman (Servo do Beneficente).” – Muslim.

Também referiu o Profeta: “Denominem-se com os nomes dos Profetas.” Também disse: “Denominem-se com o meu nome.” O nome pode ser outro qualquer, desde que tenha um bom significado. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) alterava o nome das crianças, sempre que o nome tivesse um mau significado – Tirmizi e Muslim.

O Aquiqah em termos religiosos, refere-se ao animal que é sacrificado no sétimo dia após o nascimento da criança. Existem várias narrativas que se referem ao aquiqah, pelo que deve ser efectuado pelos pais da criança. É um acto de gratidão demonstrado pelos pais, pela bênção concedida por Allah. Disse o Profeta: “A criança fica penhorada em relação ao aquiqah, por isso sacrificai, da parte dela, no sétimo dia (carneiro/s), rapem o cabelo e lhe dê um bom nome.” – Relato de Ummi Kurz (Radiyalahu an–há) – Tirmizi e Nassai. As condições dos animais para o aquiqah, são idênticas aos do Curbani (sacrifício do dia de Idul Adha). A carne do Aquiqah pode ser distribuída, preparada ou não, pelos familiares e amigos. Mas o melhor é dividir a carne em três partes – uma para os necessitados, outra para os amigos e vizinhos e outra para consumo próprio. O aquiqah pode ser adiado, se não for possível fazer no sétimo dia, mas não convém atrasar muito. Se os pais não tiverem possibilidades financeiras, não devem recorrer a empréstimos, ficando esta responsabilidade suprida.

Ao sétimo dia, deve-se rapar o cabelo da criança. Para quem tenha possibilidades financeiras, é sunat (tradição) oferecer aos pobres, ouro, prata ou dinheiro, equivalente ao peso do cabelo. Este acto, acima de tudo, permite uma ajuda aos necessitados, pela felicidade da chegada de mais um membro da família. Todas as ocasiões são propícias para a partilha.

Outra obrigação dos pais, é de providenciarem a circuncisão do rapaz (Al-Khitán). Segundo Tirmizi, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) considerou a circuncisão, o sunah (tradição) de todos os Profetas. O primeiro a cumprir com esta tradição foi o Profeta Ibrahim (Aleihi Salam) – Abraão (Que a Paz de Allah esteja com ele). A circuncisão deve ser efectuada o mais cedo possível, pois o Profeta assim fez aos seus netos, no sétimo dia, após os nascimentos. Está provado cientificamente, de que a circuncisão protege os homens contra diversas doenças.

É responsabilidade dos pais dar a educação aos filhos. A educação abrange muitos aspectos, entre eles, o comportamento, as boas maneiras, o respeito, a moral e a aprendizagem religiosa e escolar. A educação não pode cingir-se só a parte religiosa, ou só a parte escolar. Deve abranger as duas componentes, importantes para que eles possam ser piedosos, compreender o mundo,  encarar o futuro com optimismo e evitarem a mendicidade. Cada vez mais, nos tempos em que vivemos, as crianças muçulmanas devem ser preparadas para enfrentarem o futuro com mais entusiasmo. Necessitamos de mais médicos, engenheiros, professores, enfermeiros e de técnicos a todos os níveis, para ajudarem a combater a ignorância e a erradicar a pobreza. No Islão, o conhecimento religioso e científico são inseparáveis. A primeira revelação do Cur’ane, começa por: “Recita em nome do teu Senhor que criou…” 96. Noutro versículo: “Ó meu Senhor! aumentai-me o ilm (conhecimento). 20:114. E outro: “Podem ser iguais os que sabem e os que não sabem?”. 39:9.

Existem muitas exortações do nosso Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), para se estudar e obter conhecimentos: “A procura do ilm (conhecimento) é uma obrigação para todos os muçulmanos, seja homem ou mulher.” – Ibn Mája. “A tinta de um teólogo é mais sagrada do que o sangue de um mártir.” – Tirmizi.

Alguns pais acabam por se preocupar só com a educação escolar e as crianças crescem sem obterem qualquer conhecimento religioso. Nas décadas anteriores, nomeadamente  no Brasil e na Europa, isolados das suas comunidades, alguns imigrantes muçulmanos deixaram de praticar a religião. As consequências no lar foram desastrosas. Os filhos, com nomes muçulmanos, não sabem nada da religião dos pais. Actualmente muitos pais estão arrependidos, tentando corrigir a situação.

Refere o Cur’ane: Ó vós que credes! Afastai-vos vós mesmos e as vossas famílias do fogo, cujo combustível são os homens e as pedras.” 66:6. Quando foi revelado este versículo o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), questionado pelos seus companheiros (Radiyalahu an-hum), de como poderão salvar as suas famílias do fogo do inferno, respondeu: “ordenando-lhes a prática daquilo que é do agrado de Deus”.

Os pais devem preocupar-se em transmitir às crianças todos os ensinamentos religiosos, de modo que eles possam distinguir o lícito do ilícito e o bem do mal. Mas para isso, é importante que os pais conheçam ou relembrem, nomeadamente a vida e a obra do Profeta, o exemplo dos seus companheiros e como praticar a religião. Porque não vivemos isolados, neste mundo, é importante dotar a criança de conhecimentos mais amplos, de modo que possa estar apta para dialogar com outras culturas e religiões, como forma de esclarecimento dos fundamentos da religião (dawá).

Abdullah Ibn Umar (Radyialahu an-hum)  disse que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Todos vós são responsáveis e sereis questionados pelas vossas responsabilidades. O líder religioso (pela sua comunidade), o homem pela sua família, a mulher pela casa, o servidor pelos bens do seu dono, todos vós sereis questionados a respeito das vossas responsabilidades.” Bukhari, livro 62, nº. 116.

Os pais são responsáveis pelo sustento dos seus filhos. Todos eles, rapazes e raparigas,  devem ser tratados duma forma justa e igual, sem qualquer preferência de uns em relação a outros. Dar preferência a um filho em detrimento dos outros, é uma injustiça e proibido pelo Islão, de acordo com a seguinte passagem: An-Nu’man Bin Bashir (Radiyalahu an-hu) referiu. “Minha mãe pediu ao meu pai para me dar um presente, da sua propriedade. E ele deu-me, depois de alguma hesitação. A minha mãe disse que não ficaria descansada enquanto o facto não fosse testemunhado pelo Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam). Ainda jovem, meu pai pegou-me pela mão e fomos ter com o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) e o meu pai disse-lhe: “A mãe dele, Bint Rawaha, pediu-me para lhe dar um presente”. O Profeta  disse: “Tens outros filhos, além deste?”. “Sim respondeu o meu pai”. E o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) replicou: “Não me faça testemunha duma injustiça.” – Bukari – Livro 48, número 818.

Os órfãos também têm os seus direitos. Os familiares mais chegados devem criar condições para que eles sejam alimentados e educados. O pai do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), faleceu antes dele nascer. Ficou órfão da mãe, ainda muito pequeno. O seu avô Abdul Mutalib tomou conta dele. Mas infelizmente, por pouco tempo, pois o avô faleceu. Ficou então sob a responsabilidade do tio Abu Talib.

Referiu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam: “Eu e o guardião do órfão, estaremos juntos no paraíso.” – Ahmad e Tirmizi. Também disse: “A melhor casa é aquela em que o órfão é tratado com bondade.” – Ibn Mája.

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41“Wa ma alaina il lal balá gul mubin”  “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. Cur’ane 10.10.

Abdul Rehman Mangá

 

abdul.manga@gmail.com