013.02 – NAHNÚ – “NÓS” E A UNICIDADE DIVINA.

013.02 – NAHNÚ – “NÓS” E A UNICIDADE DIVINA. 

A Declaração de fé de um muçulmano baseia-se na firme convicção de que não há mais divindades, excepto Allah – Deus. A Sha’ada – declaração de fé, começa por uma negação LÁ ILAHA – Não há outra divindade, e termina com uma confirmação ILLA ALLAH – Senão a (única) Divindade.LÁ ILAHA ILLA ALLAH – Não há outra divindade senão a (única) Divindade (Allah – Deus). “Vosso Deus é Um só. Não há mais divindade além d’Ele, o Clemente, o Misericordiosíssimo”. Cur’ane 2:163.

Nos tempos em que vigoravam as monarquias, quando o rei emitia comunicados ou leis, utilizava com frequência a expressão “nós decidimos, nós decretamos”. A linguagem utilizada denotava um poder absoluto e foi muito vulgar, por exemplo, na realeza Inglesa. Nos tempos actuais, esse tipo de expressão caiu em desuso e os reis na Europa deixaram de ter qualquer poder legislativo. A língua Árabe é muito eloquente. Quem sabe recitar o Cur’ane, mas não sabe falar ou compreender o árabe, fica fascinado com o desenrolar da leitura e algo lhe diz que está na presença duma linguagem divina. Quando o Cur’ane foi revelado, havia em Maka uns idólatras que competiam na poesia, falando entre si duma forma eloquente. Allah revelou o Cur’ane com uma linguagem ainda mais eloquente, o que levou muitos a converterem-se. Outros que não queriam deixar as suas tradições e os seus ídolos, referiram que não era possível ser obra de um ser humano e acusaram Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) de ter utilizado a magia para produzir os versículos. Em resposta Allah Subhanahu Wataala lhes responde: “Se estiverdes com dúvida daquilo que Nós revelamos ao Nosso servo, então produzi uma sura semelhante…” Cur’ane 2:23.  

Em árabe, em especial na linguagem antiga, é utilizada a forma de nahnú (nós) quando alguém fala para um grupo de pessoas, referindo-se a ele próprio. No Cur’ane, Allah, o Criador e o Sustentador, às vezes refere-se a Ele próprio duma forma singular – Anná (Eu) e outras vezes utilizando formas no plural – Nahnú (Nós). Não é possível compreender-se os versículos do Cur’ane, sem conhecer algumas retóricas antigas da linguagem. Quando Allah fala para a Sua criação no geral, referindo temas importantes como a Ressurreição, Paraíso e o Inferno, utiliza o plural, que transmite nas Suas Palavras, uma Majestade Divina: Ó humanos! Se estais em dúvidas sobre a ressurreição, reparai que Nós vos criamos do pó …” Cur’ane 22:5. E mais um exemplo: “Pensais, porventura, que vos criamos por diversão (sem qualquer propósito) e que jamais retornareis a Nós?”. Cur’ane 23:115.  Em algumas passagens, Allah fala Dele e das Suas obras que foram informadas aos Profetas através dos Seus Anjos, utilizando o termo Nahnú, como por exemplo quando se refere ao Cur’ane revelado por Ele, mas transmitido ao Profeta, através do Anjo Gibrail: Nós revelamos a Mensagem e somos o Seu Preservador”. Cur’ane 15:9.

Outras vezes quando fala com alguém em especial, utiliza a expressão no singular Anná – Eu, como podemos verificar através do diálogo que teve com Mussa (Aleihi Salam) – Moisés, que a Paz de Allah esteja com ele: Eu Sou o teu Senhor! Tira as tuas sandálias, porque estás no vale sagrado de Tuwa. Eu te escolhi, escuta pois, o que te será inspirado. Sou Deus. Não há divindade além de Mim! Adora-Me e observa a oração, para celebrar o Meu nome”. Cur’ane 20: 12, 13 e 14. Demonstrando também intimidade com os seus servos em geral, Allah Subhana Wataala, com a expressão Anná – Eu, diz a Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam): “Diga aos Meus servos de que Eu Sou o Indulgente, o Misericordioso”. Cur’ane 15:49.

Através da seguinte belíssima exortação, é referido num hadice Qudsi, que  Allah usa a expressão Anná – Eu, em vez de Nahnú, denotando aqui também uma intimidade para com os seus servos em geral: Eu sou tal como o Meu servidor espera que Eu seja. Eu Estou com ele quando ele Me recorda. Se ele Me menciona perante si próprio, Eu menciono-o perante Mim próprio: e se ele Me  menciona numa assembleia, Eu menciono-o numa assembleia melhor. E se ele se aproxima de Mim um palmo, Eu aproximo-Me dele um cúbito. E se ele se aproxima de Mim um cúbito,  Eu aproximo-Me dele um passo. E se ele caminha para Mim, Eu corro para ele”.

O termo Nahnú é um sinal de respeito, de glorificação e não qualquer indicação de pluralidade. “Na verdade, Allah não perdoa que se Lhe associe companheiro …” Cur’ane 4:48. Deus é Um só, sem parceiros, sem filhos e não depende de ninguém. É o Único merecedor de toda a adoração. Este é o princípio de Tawhid. No Cur’ane, encontramos um pequeno capítulo, mas que testemunha a unicidade de Allah: Bismilahir Rahmani Rahim; Qul huwa Allahu Ahad. Allahu Samad. Lam Yalid Wa Lam Yulad. Wa Lam Yakun Llahú Kufwan Ahad. “Em nome de Allah – Deus, O Beneficente e Misericordioso. “1- Diz: Ele, Allah (Deus) é Único. 2- Allah é independente. 3- Não gerou e não foi gerado. 4- E ninguém é comparável a Ele”. Cur’ane 112.

Para confirmar esta UNICIDADE DIVINA, refere o Cur’ane: “Diz: Minhas orações, minhas devoções, minha vida e a minha morte pertencem a Allah, Senhor do Universo, que não possui parceiro algum…” (6.162).

Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. 10.10. Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41.

Abdul Rehman Mangá

 

 

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