008.03 – “LA TAZULA” – Não farás nenhum movimento, nem darás um passo sem que…

008.03 – “LA TAZULA” – Não farás nenhum movimento, nem darás um passo sem que…

Nadhla Ibn Ubaid al Aslami (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quando chegar o Dia do Juízo Final, todo o servo de Deus permanecerá de pé e não dará nenhum passo (la tazula), até que preste contas acerca de quatro questões: 1)- A sua vida, como a empregou: 2)- Do conhecimento  obtido, o que fez com ele; 3)- A riqueza, como a obteve e como a gastou: 4)- O seu corpo, como o utilizou. Tirmizi.

1 – A sua vida, como a empregou;

Neste mundo passageiro, temos um determinado tempo de vida, estipulado por Allah Subhanahu Wa Taala. Não sabemos quantos anos vamos viver: 30, 50, 70 anos? Os anos de vida que nos foram concedidos, devem ser geridos de forma a estarmos preparados para responder, quando o nosso Criador nos perguntar no dia do Juízo Final: “Como empregou a sua vida?”.

Todos, sem excepção, temos uma missão a cumprir, com maior ou menor responsabilidade em relação aos outros. Mas cabe a todos, vivermos em paz com Allah, connosco próprios, com todos os que nos rodeiam e com a natureza.

Cada vez mais, o ser humano luta contra o tempo. Uns batalham arduamente pela sobrevivência, para obterem o mínimo de condições para as suas famílias. Outros querem obter mais bens materiais, para além das suas capacidades e necessidades. No Islão, o tempo é muito mais importante do que o ditado popular “Tempo é Dinheiro”. Devemos aproveitar todos os momentos da vida terrena, para a preparação da vida eterna. Nesta correria contra o tempo, o servo esquece de agradecer e de louvar o seu Criador. “Pelo tempo; Na verdade, o homem está numa grande perdição; Excepto aqueles  que praticam o bem, aconselham-se na verdade e recomendam-se, uns aos outros, na paciência e na perseverança”.  Curane 103: 1 a 3.

O tempo passa e felizardo é aquele que o aproveita, segundo o hadice do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “Aproveita 5 coisas antes que outras 5 coisas te atinjam: 1)- A tua juventude, antes de envelheceres; 2)- A tua saúde, antes de adoeceres; 3)- A tua riqueza, antes de empobreceres; 4)- O teu tempo livre, antes de te ocupares; e 5)- A tua vida antes de morreres. Al Hakim, Al Baihaqui e Ahmad.

Todo o tempo despendido, pode ser considerado como adoração a Allah, o Criador de todas as coisas, desde que seja passado de acordo com os Seus mandamentos e com o exemplo do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Tudo é adoração, nomeadamente, a oração, a recordação de Deus, ao deliciar-se com um bom cozinhado, cuidar do nosso sono, visitar outras terras, trabalhar para obtenção de rendimentos necessários para si e para a família e a relação íntima entre marido e mulher.

De acordo com o Cur’ane, na vida eterna, um dia de espera para os crentes, será equivalente a mil anos. Cur’ane 22:47. Para os piedosos, esse tempo de espera será encurtado, de acordo com algumas narrativas referidas nos hadices. Para os descrentes, um dia será equivalente a cinquenta mil anos (70:4).

Nunca é tarde para corrigirmos a nossa conduta. Imaginem o servo de Deus, que passou a maior parte da sua vida em pecado, preocupado com bens e prazeres mundanos. Mas depois arrependido, voltou-se para Allah o Misericordioso e acabou por encontrar o  caminho da verdade, da tranquilidade, da oração e da fé. Apesar de satisfeito, ainda sente remorsos por inutilmente  ter perdido tanto tempo na sua vida. Não devemos deixar, para quando formos mais velhos, para cumprirmos com as nossas obrigações religiosas.

Abu Bakr (Radiyalahu an-hu), referiu que alguém perguntou ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “Quem é a melhor pessoa?”. Respondeu: “Aquele cuja vida é longa e pratica boas acções.” E perguntaram-lhe: “E a pior pessoa?”. Respondeu: “A pessoa que tiver uma longa vida, mas que pratica más acções.” Ahmad, Haaquim, Darda e Tirmizi. Muitos vão deixando para mais tarde (quando forem mais idosos), o Haj, as orações e até mesmo o jejum do mês de Ramadan!. Devemos preparar a morte, antes que a morte nos “atraiçoe”! O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Se durante a sua vida, um homem der um dirhram como sadaqah (caridade), é melhor do que dar cem dirhrams como sadaqah no momento da sua morte”. Narrado por Abu Said al-Khudri – Bukhari.

O melhor exemplo, foi o do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), que deixou para a humanidade, diversos exemplos de conduta moral, social e religiosa.  Não temos a fé dos Profetas nem a fé dos anjos, mas Deus deu-nos a capacidade para distinguirmos o bem do mal.

Dormir cedo e acordar cedo, é uma virtude, porque após a primeira oração da manhã e dum pequeno-almoço revigorante, podemos  começar as nossas actividades, tirando o maior proveito do dia. “Considera uma bênção o tempo que tens disponível, pois ninguém sabe como será o seu fim”. Quando as desgraças nos atingem, não podemos desejar a morte ou rezar para isso. Para o crente, é melhor uma vida mais prolongada, por dois motivos: 1) a sua permanência, beneficia a todos e 2) individualmente, ele vai aumentado as suas “provisões” para a vida eterna. “…Acaso, não vos prolongamos a vida para que, quem quisesse reflectir, pudesse fazê-lo; e não vos chegou o admoestador?…”. Cur’ane: 35:37.

Outra maneira de “passar o tempo” é dedicarmo-nos ao voluntariado, ajudando os desfavorecidos, visitando os doentes, propagando a fé (tablik), incentivando e ajudando na alfabetização. Mas que belos passatempos!!. “Muhammad, o Profeta da Misericórdia (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Certa vez, um homem morreu e foi-lhe perguntado: “O que costumavas dizer ou fazer durante a tua vida? Respondeu: “Eu era um homem de negócios e costumava dar tempo aos ricos para eles pagarem as suas dívidas e (costumava) deduzir parte da dívida dos pobres”. E assim os seus pecados foram perdoados”. Relatos de Hudhaifa e Abu Massud (Radiyalahu an-hum) – Bukhari.

Incentivo aos mais jovens (porque não também aos mais velhos?), para se dedicarem ao voluntariado. Mas deverão dar visibilidade a esse trabalho, não com a intenção de amostrar aos outros (porque só a Deus é que devemos agradar). Assim, outros tomarão conhecimento das actividades e poderão seguir o exemplo.

 “Nenhum ser humano sabe o fim do seu tempo. Mas o homem faz provisões para cem anos, ainda sabendo que pode morrer no minuto seguinte.

“LA TAZULA”: Não farás nenhum movimento, nem darás um passo sem que…

Nadhla Ibn Ubaid al Aslami (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quando chegar o Dia do Juízo Final, todo o servo de Deus permanecerá de pé e não dará nenhum passo (la tazula), até que preste contas acerca de quatro questões: 1)- A sua vida, como a empregou: 2)- Do conhecimento  obtido, o que fez com ele; 3)- A riqueza, como a obteve e como a gastou: 4)- O seu corpo, como o utilizou. Tirmizi.

2 – Do conhecimento obtido, o que fez com ele;

A procura do conhecimento (ilm) é obrigação de todo o ser humano. O ilm, permite-nos melhorar as nossas condições de vida. Mas infelizmente, a maior parte das vezes, a pobreza é uma barreira que não permite inverter essa situação. Encontramos no Islão, o incentivo para o combate à ignorância e ao analfabetismo. Só assim é que os muçulmanos poderão contribuir com o desenvolvimento dos países onde se encontram a viver, de maioria muçulmana ou não. Temos a obrigação de contribuir para o desenvolvimento do mundo, como forma de erradicarmos a ignorância e a pobreza. Por isso, todo o ser humano, intelectual e ou financeiramente capaz, deve auxiliar o seu irmão de fé na obtenção do ilm. Como deve proceder? 1) Pode dedicar o seu tempo livre ensinando os outros; 2) deve preocupar-se em saber quais as instituições religiosas e sociais que estão a promover a escolarização; 3) deve apoiar financeiramente as madressas que estão a ensinar as crianças pobres para retirar-lhes da pobreza. Disse Issa (Aleihi Salam) – Jesus, que a Paz de Deus esteja com ele: “Aquele que aprende, pratica e transmite sabedoria, será chamado grande no reino dos céus.”. Relato de Ahmad Ibn Hambal. A ignorância, é a mãe de todos os males. A utilização do conhecimento, tem as suas regras, perante a sociedade e o nosso Criador. Todo o conhecimento adquirido deverá ser aplicado na melhoria das condições da vida de todos nós. Somos humanos e o nosso conhecimento é limitado. Só Allah é que é o verdadeiro Sábio.

É obrigação de todos os pais transmitirem  aos seus filhos o ilm (religioso), a educação escolar, a boa conduta e o bom relacionamento com os familiares. Este é um direito inalienável que os filhos têm perante eles.  Depois da morte e até ao dia de qiyaamat, os pais beneficiarão disso. Também a sabedoria que for transmitida a outros, bem como o ensinamento da religião, farão com que as recompensas continuem a aumentar, de acordo com o seguinte hadice:  Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quando uma pessoa morre, suas acções findam, com excepção de três coisas: 1- sadaqah jaariyah (por exemplo uma escola construída, que continua a beneficiar a população); 2- o ilm, o conhecimento religioso de que as pessoas continuam a beneficiar (resultante do que ensinou, dos livros que escreveu); e, 3- um filho crente que deixou e que faz duá (prece) para ele”. Bukhari e Muslim.

Aplicamos os nossos conhecimentos para promover a concórdia entre as pessoas, ou a utilizamos para lhes causar infortúnios? Infelizmente, alguns muçulmanos, esquecendo-se do que aprenderam, percorrem o caminho mais fácil, o da perdição: obtém o ilm religioso e não o utilizam para a prática das orações e da conduta da vida exemplar:  é eloquente no falar, mas para extorquir bens alheios: chega a elevados cargos governativos para enriquecer às custas de esquemas e de expedientes ilícitos. Disse Issa (Aleihi Salam): “Aquele que adquire conhecimentos, mas não age em conformidade, é como uma mulher que comete adultério em segredo e fica grávida e a sua vergonha se torna conhecida de todos. Também quem não age de acordo com o seu conhecimento, será envergonhado por Deus, diante de todos os homens, no dia do Juízo Final”. Relato de Abu Hamid al-Ghazali.

Quanto maior for o grau de ilm que a pessoa tiver, maior será a responsabilidade perante o mundo e em especial, perante o nosso Criador. Todos os que são agraciados com a sabedoria e com o ilm, devem coloca-los em prática (Amal), para seu benefício e para benefício de todos, em geral. Os responsáveis religiosos e das comunidades, devem também cumprir, na sua vida pessoal, com os ensinamentos que transmitem. Refere um ditado Português: “Olha para o que eu digo e não para o que faço”. O Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) durante a viagem de Miraj (ascensão ao céu), viu um grupo de pessoas, cujos lábios estavam a ser cortados com tesouras de fogo. Jibrail, Aleihi Salam (Anjo Gabriel), esclareceu-lhe de que eram pregadores da religião, mas que não actuaram de acordo com aquilo que diziam. Outra passagem, refere que os residentes do paraíso ficarão espantados ao ver no inferno, os que lhes transmitiam sermões e orientações religiosas. Os referidos residentes do inferno, esclarecerão de que não praticavam aquilo que pregavam. O castigo de Deus será mais doloroso para esses pregadores, do  que para os pecadores comuns.

Abu Darda (Radialahu an-hu) referiu: “O que mais temo, é que me seja perguntado no dia do Julgamento final e perante toda a humanidade: “Actuaste de acordo com o conhecimento que possuías?”.

“LA TAZULA”: Não farás nenhum movimento, nem darás um passo sem que…

Nadhla Ibn Ubaid al Aslami (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quando chegar o Dia do Juízo Final, todo o servo de Deus permanecerá de pé e não dará nenhum passo (la tazula), até que preste contas acerca de quatro questões: 1)- A sua vida, como a empregou: 2)- Do conhecimento  obtido, o que fez com ele; 3)- A riqueza, como a obteve e como a gastou: 4)- O seu corpo, como o utilizou. Tirmizi.

3 – A riqueza, como a obteve e como a gastou;

O Islam exorta os crentes para trabalharem e evitarem a mendicidade. O melhor sustento é aquele que é obtido através das próprias mãos e proveniente de trabalhos e negócios honestos e lícitos. “E fizemos o dia como um período de subsistência”. Cur’ane 78:11.E  vos demos o poder sobre a terra, a qual proporciona-vos a subsistência. Poucos são os que agradecem”. Cur’ane 7:10. O comerciante não pode enriquecer à custa da manipulação dos preços, enganando o povo. Não podem ser comercializados os produtos proibidos pela religião, nomeadamente, as bebidas alcoólicas, as drogas e os alimentos não halal. Esses mesmos produtos, também não podem ser comercializados para os não muçulmanos.

Não se pode enriquecer, enganando outras pessoas, subornando para ganhar concursos e cobrando juros nos empréstimos. E não devoreis os vossos bens injustamente, entre vós mesmos, nem procurais com eles, subornar os juízes, com o propósito, consciente e injusto, de vos apropriardes de algo que seja da propriedade de outros.” Cur’ane 2:188. No entanto, a riqueza é permitida pelo Isslam e jamais serão censuradas as pessoas que têm uma riqueza de acordo com as suas necessidades e obtida de forma legal. “Porém, a quem fez caridade e é temente a Allah e crê no melhor, facilitar-lhe-emos o caminho do conforto. 92:5-7. As pessoas são encorajadas a distribuir parte da riqueza aos necessitados, através de sadaka e do zakate. A melhor caridade é aquela que é efectuada à família. A mão que dá é preferível à mão que pede. ..Tudo quando distribuirdes em caridade, Deus vos restituirá…..”. Cur’ane, 34:39.

Anas (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quem não gosta de riqueza, não tem virtudes, porque através dela (da riqueza), se consegue cumprir com os direitos dos seus familiares e tornar-se independente dos outros”. Al-Baihaqui. E o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) deixou a recomendação para as pessoas trabalharem, procurando o seu sustento e não ficarem dependentes dos outros, mesmo que para isso tiverem de executar trabalhos árduos.

Alguns têm dificuldades em gerir o dinheiro que vão acumulando ao longo da vida, muitas vezes proveniente de trabalho com muito sacrifício. Acabam por se viciarem nos jogos de azar ou nas bebidas alcoólicas. Perdem tudo o que têm, incluindo a dignidade, colocando os seus familiares numa situação de extrema pobreza. “Ó crentes,  as bebidas tóxicas, os jogos de azar, os ídolos e as flechas de adivinhação, são obras abomináveis do Satanás. Evitai-os para assim poderdes prosperar. ”Cur’ane 5:90.

Abu Huraira (Radiyalahu an-hu), relatou que alguns pobres foram visitar Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) e lhe disseram que os ricos, para além da riqueza, têm a graça de Allah o Doador, pois praticam as orações e jejuam como eles. Porém, oferecem caridade que eles não podem oferecer e libertam os escravos. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) ensinou-lhes como ultrapassar os ricos nas boas acções; no final de cada oração, para louvarem a Allah, 33 vezes, com cada uma das palavras Subhana Allah, Al Hamdu Lillah e Allahu Akbar”. Mais tarde, os pobres regressaram e informaram de que os ricos se inteiraram do que apreenderam e também passaram a fazer o mesmo. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “É, mas daí advirá um prémio da parte de Allah, que o concederá a quem Lhe aprouver”. Muslim. Homens, a quem nem o negócio, nem o comércio distrai da recordação de Deus, nem da observância da oração, nem do pagamento do zakat…… E Deus dá provisão a quem quer, sem medida”. Cur’ane 24:37 e 38.

“Não é permita a inveja, excepto em 2 situações: A pessoa a quem Deus deu riqueza e ele a utiliza no bom caminho e a pessoa a quem Deus deu a sabedoria (por exemplo a religiosa) e que dá as suas decisões em conformidade e transmite aos outros”. Relato de Ibn Massud em Bhukari

Outros só pensam em acumular riquezas, nem que para isso tenham de prejudicar os seus irmãos de fé e não concedendo os direitos dos familiares e dos vizinhos. Se o filho de Adão possuísse um vale de ouro, não ficaria satisfeito e procuraria ter mais dois; e a única coisa que lhe encherá a barriga é a areia da sepultura”. Por causa da ambição excessiva e da avareza, no dia do Julgamento final, muitos serão questionados e os vizinhos dirão “Senhor, este homem fechou-me a porta  e me negou a bondade humana”. Disse o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “Não poupes tanto, a ponto de negares aos demais do que tens, pois se o fizerdes, Deus o tirará de ti. Bukhari e Muslim.

Referiu Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam): “Com o filho de Adão, depois de velho, dois desejos envelhecem com ele: o amor à riqueza e o desejo de uma vida longa”. Certa vez, ele traçou umas linhas e disse: “Este é o ser humano e este é o intervalo da sua vida”. E mostrou uma linha mais curta. “O ser humano continuará a sua vida com ambição, até que seja alcançada pela linha mais curta, a morte”. Relatos de Anas Bin Malik (Radialahu an-hu) em Bukhari.

“Sabe amigo, que a dor humana surge de três coisas: querer antes de merecer, querer mais do que lhe é destinado, querer para si mesmo o que pertence aos outros. O desejo pelo conhecimento é o caminho da honra; o desejo pela riqueza (excessiva), o da desonra.” Abdullah Al-Ansari Al-Harawi, poeta, 1006/1089.

“LA TAZULA”: Não farás nenhum movimento, nem darás um passo sem que…

Nadhla Ibn Ubaid al Aslami (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quando chegar o Dia do Juízo Final, todo o servo de Deus permanecerá de pé e não dará nenhum passo (la tazula), até que preste contas acerca de quatro questões: 1)- A sua vida, como a empregou: 2)- Do conhecimento  obtido, o que fez com ele; 3)- A riqueza, como a obteve e como a gastou: 4)- O seu corpo, como o utilizou. Tirmizi.

4 – O seu corpo, como o utilizou;

É comum ouvirmos as palavras: o corpo” é meu e faço dele o que quiser”. “Todos os que estão sobre a terra perecerão; apenas subsistirá a Face do teu Senhor…”. Cur’ane 55-26-27. O muçulmano, crente, ao interpretar o versículo do Cur’ane:  “Inna Lilahi Wa Inna Ileihi Rájiuna – Proviemos de Deus e para Ele retornaremos” – 2.156, chega à conclusão de que tudo o que existe na terra e nos céus pertence a Deus. Tudo que temos, o nosso próprio corpo com o qual vivemos, os nossos bens, os nossos filhos, a nossa família, na substância, nada nos pertence. Inclusivamente a nossa alma, que um dia se separará do nosso corpo. Ao nosso Criador pertencemos e para Ele retornaremos. Ele é o Proprietário, dá e  leva de volta, segundo o Seu critério. “A Deus pertence tudo o que está há nos céus e tudo o que está na terra…”. Cur’ane, 2:284.

Aquele que sabe que este corpo é da terra, livra-se do orgulho; aquele que sabe que a lei de Deus prevalece, está livre do sofrimento”. Abdullah Al-Ansari Al-Harawi, poeta,  1006/1089.

O corpo humano é uma verdadeira máquina. Perfeita em todos os aspectos, mas sujeita a desgaste. Quando jovens, temos forças para fazer tudo. Conforme a idade vai avançando, a máquina necessita de “manutenção” e as tarefas diárias são executadas com maior esforço. Muitos deixam para mais tarde, quando forem mais idosos e “maduros” o cumprimento das obrigações religiosas que exigem, conhecimento, saúde e esforço físico – as orações, o jejum e o haje. Há muitas exortações a incentivarem para que a prática da religião se inicie o mais cedo, logo a seguir a puberdade. No entanto, a juventude quer gozar a vida a todo o custo. A procura constante dos prazeres da vida é como beber água do mar, quanto mais bebermos, mais sede teremos. Como podemos  pretender a outra vida se a nossa luxúria continua sem fim e o nosso desejo é cada vez mais insaciável? Podemos gozar os prazeres da vida, desde que lícitos, acompanhados do cumprimento das obrigações religiosas.

O nosso corpo e as nossas roupas, devem estar sempre limpos. Um corpo saudável é melhor do que um corpo doente. Referiu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam):  “O crente forte é melhor do que o crente fraco e nos dois há o bem”. Ahmad e Muslim.  E referiu: “Ó gente, não há melhor coisa dada às pessoas neste mundo do que a convicção e a saúde. Portanto peçam a Deus essas duas coisas”. Ahmad. Por isso, devemos cuidar da nossa saúde, para termos forças para as orações, para o jejum e para trabalharmos para o sustento dos nossos dependentes.

Todos os órgãos do corpo têm a sua quota-parte no bom ou no mau comportamento. Na prestação individual de contas, os nossos órgãos darão testemunho do que andámos a fazer. “Não sigas (ó humano) o que ignoras, porque pelo teu ouvido, pela tua vista e pelo teu coração, por tudo isto, serás responsável”.Cur’ane: 17:36. Nesse dia, selaremos as suas bocas; porém, as suas mãos Nos falarão e os seus pés confessarão tudo quanto tiverem cometido.” Cur’ane 36:65. Os nossos pés e as nossas pernas podem levar-nos para o bom ou para mau caminho, como por exemplo para a visita aos doentes ou para o adultério. A nossa boca e a respectiva língua, são os órgãos mais “perigosos que temos” e que devem ser controlados. Uma palavra mal proferida, é como uma bala, depois de disparada, pode provocar danos irreparáveis. Sahl Ibn Saad (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Uma pessoa que salvaguarda o que tem entre as suas mandíbulas (a língua) e o que tem entre as pernas, garante-lhe a entrada no paraíso”. Bukhari e Muslim.  O coração com os seus desejos e paixões, muitas vezes incontrolados, leva-nos para relacionamentos duvidosos. Há quem venda o corpo para obtenção de meios financeiros. Os olhos, um verdadeiro tesouro, que só damos valor quando os perdemos, quantas vezes também olham para aquilo que não devem?  “Diz aos crentes que recatem seus olhares e conservem os seus pudores….”. Cur’ane 24:30. As nossas mãos, os nossos dedos, também seguram todo o tipo de coisas e por isso, o Profeta Salalahu Aleihi Wassalam recomendou aos seus  Sahabas (Radiyalahu an-huma), no zikr, para também contarem com os dedos, os números de vezes em louvor a Deus, como por exemplo, quando dizem SubhánAllah, Al-hamduliláh e Lá-iláha ilaAlláh. Porque os dedos também testemunharão a favor deles. Abdullah Ibn Amr ibn al-As (Radiyalahu an-hu), referiu que viu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) contando com os seus dedos, quando glorificava a Deus, o Altíssimo.

Diariamente, alimentamos o nosso corpo e muitas vezes fazemos exercícios físicos para o tornar mais elegante. Mas esquecemos o principal, de alimentar a nossa alma, que será a nossa eterna companhia. Como se apresentará ela nesse derradeiro dia? Envergonhada ou tranquila? Nesse dia, o homem fugirá do seu irmão, de sua mãe e de seu pai, de sua esposa e de seus filhos. Nesse dia a cada qual lhe bastará a preocupação consigo mesmo. (também) Nesse dia haverá rostos resplandecentes, risonhos, regozijadores”. Cur’ane: 80:34-39.

Quando alguém morre e estão a espera dele para lhe fazerem o Gussal (banho) e vestirem-lhe o cafan (mortalha); perguntam: Quando é que chega o corpo? Já nem chamam o falecido pelo seu próprio nome. Deixou de ser Abdul Gafur ou Mariamo, passou simplesmente a ser um corpo, que veio do ventre da mãe sem nada e vai para a sepultura coberto com um pano branco. É só um corpo e um pano que se vão transformar em pó. Mas a alma, essa, permanecerá eternamente. “Toda a alma provará o sabor da morte e vos provaremos com o mal e com o bem e a Nós retornareis”. Cur’ane 21:35.

Alhamdulillah. Louvado seja Allah, Senhor do Dia do Juízo Final. Não te esqueças: Quando chegar o dia do Julgamento Final, “La Tazula”, não farás nenhum movimento, não darás nenhum passo sem que prestes contas…..

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 36:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10. “Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41.

Abdul Rehman Mangá

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