007.10 – SURAT AL FIL – CAPÍTULO 105

007.10 – SURAT AL FIL – CAPÍTULO 105

ABDUL MUTTALIB E O ANO DOS ELEFANTES

Não viste como o teu Senhor tratou os donos do elefante? Não fez Ele gorar o seu estratagema (de destruir a Caaba) enviando contra eles pássaros em bandos, que lhes atiravam pedras de barro? E (Deus) tornou-os depois como uma seara verde devorada (pelo gado)?” – Surat Al Fil – 105

Cerca de 50 dias antes de nascer o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), ocorreu um incidente em Makah, que ficou conhecido como o “ano dos elefantes” ou “os Senhores do elefante”. No século sexto, o Cristianismo estava presente em muitos países, incluindo o Yémen, que se  encontrava integrado no reino de Negus da Abissínia. Yémen era governado por Abraha, em conflito com o respectivo reino. Abraha encontrava-se insatisfeito por ver os Árabes continuarem a considerar a Caaba em Makah, como seu santuário, já desde os tempos dos Profetas Ibrahim – Abraão e seu filho Esmael (Aleihi Salam – que a Paz de Allah esteja com eles). Por outro lado, os Árabes dominavam o comércio a zona, o que provocava ciúmes em Abraha.

Com a intenção de atrair os peregrinos de Caaba / Makha, Abraha resolveu construir em Sana, capital do Yémen, uma grande Catedral, com materiais saqueados de diversos locais, incluindo os do palácio arruinado de Sabá. Após a conclusão da construção, escreveu uma carta ao Rei Negus, informando-o de que não descansará enquanto não desviar os peregrinos de Makah para o  novo santuário. O que ele pretendia, era incitar os Árabes, com a finalidade de provocar incidentes para justificar a  destruição da cidade de Makah e da Caaba.

A notícia chegou aos ouvidos dos Árabes que ficaram enfurecidos. Um homem da tribo de Kinanah, dos Coraix, dirigiu-se à Catedral e contaminou o edifício com os seus próprios dejectos. Outras passagens referem que um grupo deles ateou fogo à Igreja. Provavelmente, Abraha mandou os seus séquitos fazerem este trabalho sujo, com a intenção de culpar os Árabes. Seja como for, Abraha encontrou  um pretexto para se deslocar a Makah com a finalidade de destruir a  Caaba.

Por volta do ano de 570, Abraha ordenou aos Cristãos para se preparem para a guerra. Ele liderou um exército de 60 mil soldados e 13 elefantes (9, segundo outra narrativa). No trajecto para Makah, encontrou a resistência de Dhu Nafar, um chefe Yamenita, que juntou um pequeno exército de Árabes. Abraha, com a sua força, destruiu o exército e Dhur Nafar receando ser morto, ofereceu-se para guiar os invasores até ao seu destino. Ao passarem  perto de Tai’f, os homens de Bani Thaqif sentindo que não eram capazes de fazer frente aos invasores e receando que pudessem destruir o templo deles – Lat, o seu chefe Massud, acompanhado de alguns homens, foi ter com  Abraha e disse-lhe que o templo que ele estava a procura não era aquele mas o de Makah, pelo que poderia enviar um dos homens para servir de guia. Abraha aceitou a oferta e foi designado Abu Righal para ir com eles. Quando chegaram a poucas milhas de Makah, Abu Righal morreu e foi enterrado no local.

Abraha enviou um pequeno exército de reconhecimento, que saqueou os haveres de alguns Coraixitas, residentes em Makah, incluindo duas centenas de camelos pertencentes a Abdul Muttalib, chefe e líder de Caaba e que viria a ser o avô de Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Abdul Muttalib reuniu os chefes coraishi e os responsáveis de outras tribos vizinhas e chegaram a conclusão de era impossível combater um exército tão numeroso, pelo que deveriam refugiar-se nas montanhas. Antes de se retirarem, os chefes tribais acompanhados de Abdul Muttalib, digiram-se à Caaba e imploraram a Deus para que defendesse a Sua casa. Na Caaba, havia naquela altura da ignorância, 360 ídolos, mas na situação critica em que se encontravam, esqueceram-se dos ídolos e dirigiram as súplicas a Allah, o Deus Único. Estas súplicas foram relatadas em diversos livros da história islâmica.  Abraha enviou um mensageiro para informar às pessoas de que não veio para lutar com as pessoas, mas sim para destruir a Caaba e se as  pessoas não oferecerem resistência, não haveria motivos para derramamento de sangue. Abdul Muttalib respondeu ao referido mensageiro, de que não tinham poderes suficientes para lutar com Abraha e sendo a Caaba, casa de Deus, Ele o Protector a salvará, se Ele quiser.

Abdul Muttalib foi levado à presença de Abraha, que o recebeu e em sinal de respeito, desceu do seu trono e sentaram-se os dois num tapete. Abdul Muttalib  disse-lhe que só  queria os seus camelos de volta. Abraha que estava a espera de outro tipo de resposta, surpreso e irritado, disse-lhe que ao vê-lo, pensou que estava na presença de um líder que pudesse defender a Casa que era o refúgio dos seus antepassados, mas afinal só estava preocupado com os camelos. Respondeu Abdul Muttalib de que ele era o dono dos camelos e portanto  responsável por cuidar deles, pelo que os mesmos lhe devem ser devolvidos. E quanto à Caaba, tem o seu próprio Dono, e  Allah a irá defender.

Depois do diálogo, Abraha, irónico disse que queria ver o que o Dono iria fazer para proteger a Casa. Abdul Muttalib recebeu de volta os 200 camelos que tinham sido roubados pelo invasor e regressou a Makha.

Abraha deu instruções para que os elefantes e o exército marcharem contra Makah. O elefante chefe “Mahmud”, recusou-se a cumprir com as ordens e apesar de lhe espetarem com ferros, provocando feridas profundas, mantinha-se teimoso e ajoelhado. Os restantes elefantes imitavam o elefante chefe.

Entretanto o céu escureceu e voaram para o local, um bando de pássaros denominados de Abadil”,carregando cada um deles 3 pedrinhas, uma no bico e outras duas nas patas e começaram a atirar para o exército invasor, causando inúmeras baixas, devido às perfurações e roturas na pele. O mesmo aconteceu a Abraha, que gravemente ferido começou a coçar-se, causando ainda mais queda da pele e de pedaços de carne. Os sobreviventes solicitaram a Dur Nafar que os trouxera como guia, para os orientar de volta a Sana, mas ele recusou-se afirmando: “Agora para onde se pode fugir, quando Deus persegue?”. Muitos morreram e outros regressaram feridos para Sana. Abraha teve uma morte lenta, com a desintegração dos ossos, acabando por morrer.

Este incidente teve lugar num local denominado de Muhassir, no vale de Muhassab, entre Muzdalifah e Mina. Segundo o relato de Jabir Bin Abdullah (Radiyalahu an-hu), o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), em peregrinação,  quando se deslocava de Muzdalifah para Mina, ele apressou os seus passos quando atravessava o lugar de  Muhassir. Em Maliks Muwatta, Yahya referiu que Malik ouviu de Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) dizer de que toda a zona de Arafa é boa para permanecer e toda a zona de Muzdalifah é também um bom local para acampar, com excepção do vale de Muhassir.

Os poetas de então, escreveram muitos temas acerca do assunto e evidenciaram que foi um verdadeiro milagre do Deus Único que salvou a Caaba da cobiça de Abraha e que os ídolos que lá estavam, nada podiam fazer contra o poderio dos invasores.

Este acontecimento muito comentado na altura, aconteceu no ano de 571 A.D., 1 mês e 22 dias antes do nascimento do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Porque os invasores utilizaram elefantes para tentarem destruir a Caaba, os Árabes chamaram-lhes de ASHABUL-FIL – Senhores dos elefantes” e ao ano em que ocorreu este milagre, “AMUL – FIL – Ano do elefante”.

 O Cur’ane refere no capítulo 105 – Sural Al Fil: “Não viste como o teu Senhor tratou os donos do elefante? Não fez Ele gorar o seu estratagema (de destruir a Caaba) enviando contra eles pássaros em bandos, que lhes atiravam pedras de barro? E (Deus) tornou-os depois como uma seara verde devorada (pelo gado)?” – Surat Al Fil – 105.

Neste versículo do Cur’ane, Allah descreve duma forma muito breve, os castigos afligidos ao povo do elefante. Não foi necessária uma longa revelação acerca do assunto, uma vez que os acontecimentos tiveram lugar um pouco antes do advento do Isslam e todos os residentes de Makah e arredores lembravam-se e comentavam os acontecimentos com muitos pormenores. Por isso, não havia necessidade de mencionar os detalhes no versículo Al-Fil. Os Árabes sabiam que foi Deus e não os ídolos que salvaram a Casa de Deus.

Nota: Os 360 ídolos aqui referidos, um para cada dia lunar, foram definitivamente destruídos no ano 8 de Hégira pelo Profeta (Salalahu Aleihi Wassalm), quando regressou triunfante em Makah e sem derramamento de sangue, perdoando todos os seus inimigos que o perseguiram, o torturaram e o obrigaram a emigrar para Madina. Até hoje, a Caaba é o local de convergência para todos os muçulmanos, local de peregrinação e de orientação para as orações, livre de quaisquer figuras (de ídolos, santos ou profetas). É a casa de Deus, reconstruída pelo Profeta Abraão e pelo seu filho Profeta Esmael, (Aleihi Salam – Que a Paz de Deus esteja com eles).

“Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10. “Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41.

Abdul Rehman Mangá

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