O HAJ (PEREGRINAÇÂO A MAKA)

005.02 – O HAJ (PEREGRINAÇÂO A MAKA)

LABBAIKA, ALLAHUMMA LABBAIK… Eis-me aqui ao Teu serviço, ó Allah, eis-me aqui…

“E COMPLETAI O HAJ E O UMRA EXCLUSIVAMENTE PARA DEUS” Cap. 2 Vers.196

O Haj (Peregrinação a Maka) é um dos cinco  pilares da Islão, uma forma de adoração espiritual e material. A tradição relata que o Profeta Ibrahim – Abraão (Que a Paz de Deus esteja com ele) quando terminou a construção da Caaba (Casa Sagrada), Allah Subhanahu Wataala lhe ordenou que proclamasse a peregrinação às pessoas, que viriam  de todo o lado longínquo, a pé e montado em todas as espécies de camelos. O Profeta Abraão perguntou: “Ó meu Senhor, como é que a minha voz chegará a eles?” Deus lhe respondeu: “O teu dever é proclamar e o Meu é fazer chegar a tua voz a eles…” E os crentes que se dirigem à peregrinação,  respondem com Labbaik, Allahumma Labbaik – Eis me aqui meu Senhor!

Apesar de ser associado ao tempo de  Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), a Peregrinação a Maka é tão antiga, que remonta ao tempo da edificação da Caaba., conforme é referido no Cur’ane, foi a primeira Casa edificada para adoração a Deus. “Na verdade a primeira Casa (para adoração a Deus) erigida para o género humano, foi a de Bacca (Maka)”. Cur’ane 3:96. Este versículo autentica o hadice que refere que a Caaba foi edificada por Adam (Aleihi Salam), o primeiro homem à face da terra. Mais tarde, reconstruído pelo Profeta Ibrahim (Aleihi Salam) e pelo seu filho Ismael (Aleihi Salam). No tempo da jahiliyyah – antes do advento do Islão, os árabes pagãos também se dirigiam à Caaba em peregrinação. O Haj foi instituído na época de Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) como quinto pilar do Islam.

É  uma concentração de muçulmanos de todas as raças, vindos de todos os continentes,  de todas as classes sociais, de todas as cores,  unidos numa única causa comum, que é o da adoração ao Deus Único. É uma confirmação de que o Islam é uma religião universal. Não existe o rico nem o pobre, nem o empregador nem o empregado, nem o governante  nem o cidadão comum, pois são todos iguais perante Deus. Os Hajis, durante a peregrinação, vestem-se todos de igual, utilizando  o Ehram (pano branco sem costuras), recordando os tempos em que nasceram, quando lhes embrulharam  num pedaço de pano e sabem que após as suas mortes, irão também ser cobertos por um pano branco (cafan-mortalha), deixando para trás todos os haveres,  adornos e  restantes vestuários. Em Miná, Muzdalifa e Arafah, estarão juntos,  milhões de irmãos e de irmãs, da mesma fé, lembrando o dia do julgamento final, em que Deus reunirá toda a humanidade,  para a prestação de contas.

Quem já cumpriu com a obrigação da peregrinação, acaba por se “apaixonar” pelo lugar e pensa  voltar mais uma ou mais vezes, pois é um local que nos traz a paz e  a tranquilidade e nos libertamos de todas as preocupações mundanas. Em Maka, fortalecemos a fé. Em Madina, encontramos a paz e a tranquilidade, em especial dentro da Mesquita onde se encontra sepultado o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). É  estar no mundo, mas fora dele.   Em todos os locais onde vamos cumprir com os rituais do Haj, tornamo-nos mais  humildes, pois estamos mais perto do  Criador, onde as nossas preces são aceites. Segundo o relato de An-Nassai,  Ibn Maja  e outros, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: O Hají é um hóspede de Deus, se pedir algo, as  suas preces são aceites. Se pedir perdão, é  perdoado.” 

Tentemos imaginar como era a viagem dos nossos antepassados. Era difícil a viagem, por exemplo de África ou da Ásia para a Arábia Saudita. De barco, depois a pé ou montados em animais, percorrendo milhares de kms até chegarem aos seus destinos. A jornada demorava  meses  e muitas vezes, anos. Pelo caminho, iam ficando aqueles que Deus os levava (De Deus viemos e para Ele regressamos). Os que chegavam ao seu destino, reuniam-se e começavam com os rituais de Haj, com todas as dificuldades inerentes à época. Depois de cumprido o dever, era o regresso à casa, percorrendo novamente milhares de Kms. Eram os verdadeiros Hajis, pois nem as dificuldades os demoveram de cumprir com a obrigação.

Nos nossos tempos actuais, entre 5 a 10 horas de viagem,  deliciando-se com o conforto dos aviões e do catering, o Haji viaja como se dirigisse para férias! Chega e encontra a  melhor hospedagem, de acordo com as suas posses financeiras. Durante o ritual do Haj, tem todas as mordomias, pois nada lhe falta. Aproveita para fazer compras. Alguns em vez de fazerem o máximo de Tawafs (circundar a Casa de Allah), fazem “Tawafs” às lojas…

O peregrino pode optar por uma das 3 formas de Haj: 1) HAJ-IFRÁD, usando o Ehram só para fazer o Haj (não faz Umra); 2) HAJ-QUIRÁN, usando o mesmo Ehram para fazer o Umra e o Haj; e 3) – HAJ-AT-TAMATU, usando um Ehram para fazer Umra e depois outro Ehram para fazer o Haj (O tecido pode ser o mesmo depois de lavado). O crente que faz o Haj-Ifrad é o Mufrid, o que faz o Haj-Quirán, chama-se Cárin e o que faz o Haj-At-Tamatu é o Mutamatti. O tipo de Haj mais utilizado (mais prático) é o At-Tamatu, porque permite fazer o Umra e o Haj, sem estar em permanente estado de Ehram. No Haj Quirán, o crente fica em estado permanente de Ehram, desde o início do Umra, até terminar o Haj, situação que pode durar semanas seguidas.

 O cumprimento do Haj é obrigatório apenas uma vez na vida para o muçulmano adulto, física e financeiramente apto. É facultativo fazê-lo mais do que uma vez. “…A peregrinação à Casa, é um dever para com Deus, por parte de todos os seres humanos…”. Cur’ane 3:97. Para a peregrinação, não é permitido pedir dinheiro emprestado ou utilizar dinheiros provenientes de actividades ilícitas. Uma verba suficiente, deve ser deixada aos dependentes, para suprir as necessidades da família. O Haj é uma obrigatoriedade referida no sagrado Alcorão e nas palavras do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Quem não crê neste 5º. pilar, torna-se um descrente e quem protelar por muito tempo, tendo condições para tal, acaba por ser um pecador, segundo a opinião de muitos alimos. Num hadice, relatado por Ahmad e Al-Baihaqui, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Apressai-vos no cumprimento do Haj, pois nenhum de vós sabe o que lhe pode acontecer”, isto é, doenças, problemas financeiros, etc.. No caso de não se ter cumprido com o Haj enquanto havia saúde ou enquanto vivo, é possível os familiares atenuarem o incumprimento e efectuarem o Haj em nome deles (Haj Badal). Uma senhora disse e perguntou ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “Deus prescreveu a obrigatoriedade do Haj, mas o meu pai está velho e fraco. Posso efectuar o Haj em seu nome?” O Profeta respondeu: “Sim, você pode”. Bukhari – Livro da Peregrinação 589. E Deus é Perdoador e Misericordioso para com a Sua criatura. Outra passagem refere que uma mulher perguntou ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “A minha mãe fez um juramento de fazer o Haj, mas morreu sem o fazer. Posso fazê-lo por ela?” O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) respondeu: “Faça-o por ela. Se pesasse alguma dívida sobre a sua mãe, você teria ou não pago? Da mesma forma pague a dívida dela para com Deus, pois Deus é mais merecedor para que a dívida com Ele seja paga”. Bukhari.

Abu Huraira (Radyialahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “No cumprimento de um Umra para o outro, verifica-se a expiação dos pecados cometidos entre um e outro. E o Haj Al-Mabrur não tem outra recompensa senão o Jannat (Paraíso). Relato de Al Bukhari e Musslim. (O Haj Mabrur é o Haj inteiramente cumprido, sem qualquer transgressão às regras instituídas e sem qualquer pecado).

Fazem parte dos rituais da peregrinação, a recordação de algumas atribulações sofridas pelo Profeta Ibrahim (Aleihi Salam) e sua esposa Hajra, nomeadamente: Tawaf (circundar a Casa de Deus); Percorrer os montes Safa e Marwa (lembrando as dificuldades de Hajra e o seu filho Ismael e o milagre da água de Zam Zam); E a rejeição da tentação do diabo, quando ele levou o seu filho Issmail – Ismael (Aleihi Salam) para o sacrificar (Curbani), cumprindo com as ordens de Deus, apareceu o cheitane (diabo), assumindo a forma de um enorme obstáculo, impedindo-o  de cumprir com as ordens divinas. “E saibam que as vossas riquezas e os vossos filhos são um teste”. Cur’ane 64:115. Então o Profeta Abraão (Que a Paz de Allah esteja com ele), atirou 7 pedrinhas e o diabo afundou-se na terra. Os hajis também vão atirar as pedrinhas, não só simbolizando aquele acto, mas também para fazerem uma firme intenção, de se afastarem das tentações do diabo.

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”.Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41

Abdul Rehman Mangá

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s