A CAABA

005.03 – A CAABA

LABBAIKA, ALLAHUMMA LABBAIK… Eis-me aqui ao Teu serviço, ó Allah, eis-me aqui…

“E PURIFICAI A MINHA CASA PARA OS CIRCUNDANTES.” Cur’ane – Cap. 2 Vers. 125.

A Caaba exerce um fascínio a cada um de nós. O peregrino quando chega pela primeira vez a Maka, fica ansioso para ver a Caaba. Ele já está familiarizado com a Caaba, porque muitas vezes a viu em fotografias (quadros, tapetes de oração, etc..). Quando está diante da Caaba, fica emocionado, as lágrimas que verte, reflectem uma imensa alegria e satisfação. Olha fixamente para a Caaba e faz uma prece, pedindo a Deus, a Sua Compaixão e Misericórdia. O peregrino terá a oportunidade de ver muitos crentes fazendo Tawaf (circundando a Casa de Deus), outros fazendo orações e outros simplesmente sentados ou em pé, olhando para ela. Que pensamentos fluirão em cada um deles? Ibn Abbás (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Allah envia (faz descer) diariamente, de dia e de noite, cento e vinte Rahmats (Misericórdias) sobre a Caaba. Sessenta, são para os que estão a fazer o Tawaf, quarenta para os que estão fazendo orações à volta dela e vinte para os que estão simplesmente a olhar a Caaba”. Al-Baihaqui.

A Caaba, assim chamada por ser de forma cúbica,  é a casa sagrada de Deus, nosso Guia e Senhor. É o Qibla dos Muçulmanos (Direcção para onde os Muçulmanos se viram para as sua orações).

Após o período que se seguiu à  saída de Makka (Hijra) e  durante cerca de 16 meses na permanência em Madina,  o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), efectuava o salat (oração) virado para  Jerusalém. No ano 2 de Hijra (do calendário Islâmico), Allah Subhanahu Wataala, ordenou-lhe que se virasse para a direcção da Caaba. Desde então, a Caaba, passou a ser a orientação para a nossa oração, símbolo da unidade dos crentes. Quando o referido versículo do Cur’ane foi revelado, estava o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) a dirigir o Salat de Zuhr (oração do meio dia), virado para Jerusalém, numa Mesquita a cerca de 3 milhas  da Mesquita de Madina. Quando já tinha efectuado dois rakates (2 ciclos de oração), recebeu a referida revelação. Ainda dentro da oração, todos se viraram para a direcção da Caaba e completaram os restantes ciclos. A Mesquita onde aconteceu  este facto histórico e religioso, passou a chamar-se de “Quiblatains”, isto é, Mesquita de dois Qiblas.

Allah Subhana Wataala diz ao Profeta Muhammad (Sallalahu Aleihi Wassalam): “Na verdade, vimos-te voltar com frequência o teu rosto para o céu (para orientação). Agora, certamente, te faremos virar para um Qibla, com que estarás satisfeito. Portanto, vira o teu rosto para a Mesquita Sagrada e onde quer que estejas, voltai os vossos rostos para esta direcção.” Cur’ane 2: 144. A Caaba, foi sempre um local sagrado, muito antes da era do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Foi  reedificada pelo Profeta Abraão e seu  filho Profeta Esmael (Que a Paz de Deus estejam com eles). “E quando Ibrahim (Abraão) e Issmail (Esmael) elevavam as fundações da Casa (dizendo): “Nosso Senhor! Aceita de nós (este trabalho). Com certeza, Tu escutas, És o Conhecedor.” Cur’ane 2: 127.

Inicialmente a Caaba estava coberta com pedras preciosas do Paraíso. Com a morte do nosso pai Adam (Aleihi Salam – Que a Paz de Deus esteja com ele), ficou a pedra que todos conhecemos por “pedra negra”Hajarul Asswad, que é beijada por milhões de peregrinos. A pedra era branca, mas com os pecados da humanidade ela tornou-se negra. Há uma referência de que Omar (Radyialahu an-hu) ao beijar a pedra, afirmou: “Por Deus, estou ciente de que tu  não és mais do que uma pedra (sem poderes). E se não tivesse visto o Mensageiro de Deus beijar-te, eu jamais o faria”. – Relato de Al-Bukhari, Musslim e At-Tirmizi. Portanto ao beijar a pedra, os muçulmanos não o fazem por idolatria, pois não adoram mais nada a ser a Deus.

Cerca de 50 dias antes do nascimento do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), Abraha, o governador do Yémen, quis destruir a Caaba, utilizando um exército poderoso, em que estavam incluídos diversos  elefantes. Abdul Muttalib, chefe e líder da Caaba e  que viria a ser o avô do Profeta, não se alarmou com a ameaça, pois considerou que Deus, o Dono da Caaba, a iria defender. Assim aconteceu, Deus enviou um bando de pássaros, carregando cada um deles, 3 pedrinhas, que foram lançadas sobre o exército invasor. As pedrinhas causaram inúmeras baixas e a debandada dos sobreviventes. Este facto foi e ainda é conhecido por “Ashabul – Fil, senhores dos elefantes” ou por “o ano dos elefantes” e vem referido num breve versículo do Cur’ane – Surat Al Fil – 105. Encontrará o desenvolvimento deste tema no sector “Versículos do Cur’ane”.

Ao longo da humanidade, a Caaba sofreu  inundações e incêndios. No tempo pré Islâmico, albergou temporariamente mais de 300 ídolos, que depois foram destruídos por Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Foi reconstruída várias vezes e hoje é uma casa quadrada em alvenaria, coberta por pano preto, bordado com versículos do Cur’ane.  O sagrado não são as 4 paredes, mas sim o próprio local. Se a Caaba, por qualquer motivo ficasse destruída, a orientação para a oração continuaria válida. O local em si é que é sagrado para todos nós. É uma prova de que não adoramos a Caaba, os profetas e ídolos. A representação de Deus e Seus profetas é uma heresia e um atentado à dignidade da fé dos muçulmanos. Não podemos representar a figura de Deus, porque ninguém O conhece como Ele é. Também não podemos representar as faces dos profetas, porque isso conduziria à adoração dos mesmos, constituindo uma idolatria, contrária aos princípios religiosos –  adoração ao Deus Único.

O Tawáf (circundar a Caaba), é um dos principais rituais do Haj (peregrinação a Makka). Durante as 24 horas diárias, excepto durante as 5 orações obrigatórias, há imensa gente a circundar a Caaba. É um verdadeiro milagre. Mesmo na altura, quando a Caaba estava sujeita a  inundações, as pessoas  a circundavam, nadando (em círculos).

De acordo com a narração de Abu Said Al Kudri (Radiyalahu an-hu), o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalamo) disse: “As pessoas vão continuar a realizar o Haj e a Umra, mesmo após o aparecimento de Gog e Magog. E Shu’ba acrescentou; A hora do Juízo Final, não será estabelecida até que o Haj (à Caaba) seja abandonado”. Bukhari 26:663. Como tudo nesta vida, tudo tem o seu fim. “Tudo o que existe na terra perecerá. E só subsistirá o Rosto do teu Senhor, o Majestoso, o Honorabilíssimo”. Cur’ane 55:26-27. Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Um Etíope, Dhus Suwaiqatain (com duas pernas magras) irá demolir a Caaba”. E Ibn Abbas, referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “É como se eu estivesse olhando para ele, uma pessoa de raça negra, de pernas finas, arrancando as pedras da Caaba, um após outro”. Os dois hadices foram referidos no Bukhari, 26:666 e 26:665, respectivamente.

Uma curiosidade: Anualmente a Caaba é lavada com a água de Zam-Zam. É uma tradição antiga que vem desde o tempo do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), quando os Muçulmanos conquistaram a cidade de Makka, sem derramamento de sangue e destruíram os 360 ídolos que estavam colocados dentro da Caaba. E para a purificarem, lavaram-na com a água de Zam Zam.

Ibn Umar Radiyalahu an-hu), disse: “O Profeta chegou a Maka, circundou 7 vezes a Caaba e depois efectuou uma oração de dois ciclos atrás do Maqam Ibrahim. Depois foi para Safa. Deus referiu: “Na verdade, tendes no Apóstolo de Deus, um bom exemplo”. Bukhari 26:693.

Siga para o caminho da felicidade. Responda dizendo, Labbaik, Allahumma Labbaik – Eis me aqui meu Senhor….

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41

Abdul Rehman Mangá

 

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