022.03 -OS DIREITOS DOS FILHOS – CONFERÊNCIA ACERCA DA CIRCUNCISÃO

022.03 – OS DIREITOS DOS FILHOS

CONFERÊNCIA ACERCA DA CIRCUNCISÃO

No dia 23 de Novembro de 2013, fui convidado pelo Director do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia – Porto, no âmbito das Jornadas de Urologia, para dar o meu testemunho acerca da circuncisão na Religião islâmica. Aproveitei o tempo concedido para falar acerca do tema e tecer algumas considerações acerca do islão. Muitos dos presentes me confessaram que se encontravam completamente “anestesiados” pelas notícias transmitidas pela nossa comunicação social.

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“Um dos pilares da fé islâmica é acreditar em todos os Profetas que Deus enviou para a humanidade. Segundo “Gênesis”, Deus prometeu transformar Isaac e Ismael, filhos do Profeta Abraão, em grandes nações. Acreditamos em todos os Profetas do Judaísmo, desde Abraão até Moisés. Acreditamos em João Baptista e Jesus. E acreditamos em Muhammad, o último Profeta enviado também para toda a humanidade. Que a Paz de Allah esteja com todos os Profetas.

Os direitos das crianças estão consagrados nas recomendações que os nossos Profetas nos deixaram e que nos foram transmitidos pelo Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). O nascimento duma criança, seja ela menina ou menino, é uma alegria e uma bênção para os pais. A religião islâmica contém ensinamentos que abrangem todas as etapas da vida, que se iniciam desde o nascimento até à morte. O islão é um autêntico código de vida.

A criança tem diversos direitos por parte dos seus pais. Após o nascimento, corte umbilical e limpeza, ela ouve o Azan e o Ikhamat– o chamamento para a oração, que é efectuada nos dois ouvidos da criança. Assim, as primeiras palavras que ela ouve, é o nome de Deus, os Seus atributos que enaltecem a grandeza do Criador, o convite para a oração, o convite para a felicidade. Outra tradição é efectuar o TAHNIK: Um pouco de suco duma tâmara ou uma fruta doce, é colocada na boca da criança. Os companheiros do Profeta tinham um grande amor por ele. Quando nascia uma criança, levavam-na para junto dele. O Profeta fazia o Tahnik e depois fazia uma prece para a criança. Quando a criança atinge os 7 dias, o cabelo é rapado e o valor do peso equivalente em ouro deve ser repartido pelos pobres, demonstrando felicidade da chegada de mais um membro na família. Para completar a obrigação dos pais, a criança do sexo masculino deve ser circuncisada.

Seguimos as tradições antigas, referidas nos livros do Antigo Testamento, do Cur’ane e da Sunnah (tradições do Profeta Muhammad), nomeadamente: à circuncisão masculina; à proibição da carne de porco e do sangue; para a nossa alimentação, o abate dos animais em nome de Deus. A circuncisão, denominada de “Al-Khitán” ou “Al Tahara”, que significa “a purificação”, é rigorosamente observada entre os homens muçulmanos. Não existe uma idade própria para se efectuar a circuncisão. No entanto, é aconselhável que a criança seja circuncidada, o mais cedo possível, de preferência a partir do sétimo dia, porque é nessa idade que as feridas cicatrizam com rapidez. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) assim o fez aos seus netos. A circuncisão masculina é o símbolo da aliança divina. Os Muçulmanos são o maior grupo religioso a circuncidar os meninos. É uma tradição do Profeta Abraão (Que a Paz de Allah esteja com ele), tronco comum das 3 religiões monoteístas. Como sinal de aliança com Deus, o Profeta Abraão e os homens da sua casa submeteram-se à circuncisão, segundo consta no Gênises, “Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado”. Para além dos Judeus, os Cristãos Coptas também adoptam a circuncisão masculina como prática religiosa.

Após a era de Issa (Aleihi Salam), Jesus que a Paz de Allah esteja com ele, os Cristãos continuaram a utilizar a circuncisão, seguindo o exemplo dos seus antepassados Judeus. Mais tarde, Pedro e Paulo levantaram a questão se os novos Cristãos deveriam ou não manter a tradição. A posição de Paulo de Tarso acabou por vencer. Considerou ele de que não era suficiente estar circuncidado na carne, se a alma permanecesse pecadora. E disse ele: “Nós colocamos a nossa glória em Jesus e não na carne”. Para além de terem levantado a proibição do consumo da carne de porco, referido no Antigo Testamento, assim os Cristãos deixaram mais uma das tradições de todos os Profetas, a circuncisão. 

Outros povos também adoptam a circuncisão nas suas tradições e costumes, sem quaisquer conexões religiosas. É uma prática tão antiga, que remonta aos antigos habitantes do Egipto, na altura dos faraós, apesar de  não professarem qualquer religião monoteísta. Actualmente, no continente africano, vários grupos étnicos africanos seguem a circuncisão  animista. Em algumas ilhas do pacífico a circuncisão é um rito mitológico.

Refere uma lenda, nascida de tribos que não seguiam a circuncisão por questões religiosas: “um jovem e a sua irmã foram ao bosque colher frutas. Após terem cortado cachos de bananas, o jovem aproveitou para descansar à sombra duma árvore, enquanto a irmã continuava com a colheita. Ao descer da árvore, a irmã deixou cair o cutelo que cortou o prepúcio do irmão. Mais tarde, curado, o jovem casou e a esposa ficou bem impressionada com o desempenho do marido. Orgulhosa, ela foi contar às suas amigas, o que provocou inveja por parte dos outros homens da aldeia. Assim, todas as raparigas só queriam casar-se com jovens circuncidados”. Esta é uma simples lenda. A origem da circuncisão é de facto muito antiga e cada cultura tem a sua própria justificação. E o Islão segue a tradição de todos os Profetas de Deus.

Os muçulmanos seguem o Cur’ane e a Sunnah (a tradição) do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). A circuncisão destaca-se da Sunnah do Profeta e ele a considerou “uma tradição (sunnah) de todos os Profetas”. A circuncisão é a remoção do prepúcio e um factor importante para a higiene. Evita-se a humidade, que permite ao agente infeccioso mais tempo de sobrevivência, propício ao cultivo de bactérias e facilidade de infiltrações no organismo. Ajuda na prevenção da sífilis e outras doenças associadas. Não é por acaso que nos países onde predominam as doenças venéreas e a sida, os circuncisados têm mais hipóteses de não se contagiarem.

No islão, a higiene é metade da fé. A lavagem das partes privadas após as necessidades fisiológicas é obrigatória. O muçulmano para rezar, deve estar limpo de todas as impurezas. Uma das razões para a circuncisão, é a facilidade de limpeza, a remoção de todas as impurezas que poderiam ficar retidas no prepúcio. Para o muçulmano, a circuncisão pode também ser considerada como uma introdução à religião islâmica, uma questão de higiene e uma medida de prevenção contra infecções e doenças.

No que se refere às questões relacionadas com a higiene, o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi wassalam) referiu: “De entre as coisas relacionadas com o Fitra (instinto natural) humano, constam; bochechar  com água, usar agua para limpar as narinas, aparar o bigode, limpar os dentes, cortar as unhas, remover os pêlos axilares e púbicos e a circuncisão”. (Ahmad).

No islão, não existem pessoas especializadas para efectuarem a circuncisão. Nos países onde os muçulmanos são a maioria, ela é efectuada em hospitais públicos ou em clinicas privadas. Os muçulmanos que vivem nos países onde não predomina a religião islâmica, não têm acesso aos hospitais públicos para a circuncisão. As autoridades desses países, não a consideram como prioritária, fazendo com que outros sem posses financeiras recorram a curiosos, com graves consequências para a saúde das crianças. É também o caso de Portugal, onde não conseguimos acesso aos hospitais públicos para a concretização desta prática religiosa. Por isso vimos apelando às nossas autoridades, para que nos permitam efectuar a circuncisão através dos hospitais públicos.

A circuncisão dos adultos é muito complicada, dado que o órgão tende a aumentar e a diminuir de volume, o que provoca muitas dores e atrasos na cicatrização. É o caso dos adultos convertidos ao islão, que segundo a opinião de muitos teólogos, não são obrigados a submeterem-se à circuncisão. Apesar disso, a realidade mostra-nos que a maioria se submete voluntariamente à operação.

Alguns povos sujeitam as mulheres à circuncisão. Uns alegam motivos religiosos e outros continuam com as tradições dos seus antepassados. É uma prática primitiva que viola os fundamentos de qualquer religião e dos direitos humanos em geral”.

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Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Allah, Senhor do Universo!”. 10.10. “Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. 14:41.

Abdul Rehman Mangá

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