007.06 – SURAT FUSSILAT – CAPÍTULO 41.

007.06 – SURAT FUSSILAT – CAPÍTULO 41.

Nos séculos anteriores, os árabes eram referenciados por causa dos seus conhecimentos nas áreas da ciência, astronomia e literatura. Eram verdadeiros intelectuais, conhecedores e apreciadores da poesia. Também no tempo do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), existiam várias elites que falavam entre si duma forma eloquente, utilizando e abusando da poesia. No entanto, a maior parte deles adoravam ídolos, continuando com a tradição dos seus antepassados. Outros adoravam as estrelas, o fogo e outros astros.

Nos primeiros anos da profecia, Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) concentrou-se na divulgação do Deus Único, Invisível, ao contrário dos ídolos que eram talhados em madeira, ouro e outros metais. Encontrou uma grande oposição  por parte de um grupo influente de quraishes (residentes de Maka), que o maltrataram e dificultaram a missão. Fizeram tudo para frustrar o trabalho da divulgação. No entanto, estavam sempre curiosos, porque queriam saber qual a origem de Deus, que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) continuava a divulgar, apesar das perseguições de que era alvo.

Estavam eles furiosos porque viam uma grande quantidade dos seus conterrâneos, entre eles, Hazrat Hamza (Radiyalahu an-hu), renunciando à idolatria e seguindo exemplo do Profeta Ibrahim e  o seu filho Ismael (Que a Paz de Deus esteja com eles). O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam e os novos crentes, sofriam represálias e muitos viram os seus bens usurpados. Mas mesmo assim, mantinham firme a fé e continuavam a proclamar de que Não há outra divindade, senão Deus”. E porque Deus nunca abandona as suas criaturas, consolou-os pelos vexames sofridos. O Melhor dos homens é aquele que pratica o bem, convida os outros a Deus e proclama com firmeza de que ele é muçulmano (submisso a Deus).

Certo dia, alguns chefes Quraiches estavam sentados na Mesquita sagrada de Maka e o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) encontrava-se separado deles, noutro canto da Mesquita. Utbah Bin Rabi’ah, o sogro de Abu Sufyan, dirigiu-se aos seus colegas e disse-lhes: “Se vocês concordarem, eu vou falar com Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) e vou-lhe colocar algumas propostas, na perspectiva de que ele aceite uma delas e assim ele nos possa deixar em paz”. Todos concordaram com a ideia. Assim, ele foi ter com o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) e lhe disse: “Meu sobrinho, você tem um estatuto muito elevado perante a sociedade, devido à sua descendência e do relacionamento familiar. No entanto, você colocou  o povo uns contra os outros, criando divisões e considerando-os tolos. Você fala mal da nossa religião e dos nossos deuses, referindo-nos como pagãos. Agora oiça as minhas sugestões, talvez você aceite uma delas”. O Profeta (Salalahu Aleihi Wasssalam) aceitou ouvir o que ele tinha para dizer. Ele continuou: “Meu sobrinho, se você quer riqueza nós lhe daremos o suficiente para torna-lo o homem mais rico entre nós; se você pretender tornar-se um homem importante, vamos fazer de si o nosso chefe e nunca iremos decidir qualquer questão sem a sua autorização; se você quer ser rei, vamos aceita-lo como nosso soberano; e se foi visitado por algum génio, do qual não se consegue livrar com o seu próprio poder, vamos procurar os melhores médicos para o tratarem, às nossas custas”.

O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) em resposta às propostas de Utbah Bin Rabi’ah, pronunciou Bissmilahir Rahmani Rahim e começou a recitar o Surat Fussilat (41º. Surat do Cur’ane):1- Há Mim. 2- (Eis aqui) uma revelação do Clemente, Misericordiosíssimo. 3- É um Livro cujos versículos foram detalhados. É um Cur’ane árabe destinado a um povo sensato. 4- É alvissareiro e admoestador; porém, a maioria dos humanos o desdenha, sem ao menos escuta-lo. 5- E afirmaram: os nossos corações  estão insensíveis a isso a que nos incitas; os nossos ouvidos estão ensurdecidos e entre tu e nós, há uma barreira; faz, pois (por tua religião), que nós faremos (pela nossa)! 6- Diz-lhes: sou simplesmente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que vosso Deus é um Deus Único. Consagrai-vos, pois a Ele e implorai-Lhe perdão! E ai dos idólatras, 7- Que não pagam o zakat e renegam a outra vida! …

Utbah, com as mãos atrás das costas ia ouvindo atentamente enquanto o Profeta continuava a recitar o Surat Fussilat. Quando chegou à sajdat, o Profeta prostrou-se a Deus, levantou-se a olhou para Utbah Bin Rabi’ah e disse-lhe: “Esta foi a minha resposta e você pode agir como entender”. Utbah retirou-se e foi ter com os restantes chefes quraiches que o aguardavam com  curiosidade do desfecho do encontro. Viram um Utbah completamente diferente, com a fisionomia alterada e lhe perguntaram como decorreu o encontro. Respondeu de que ouviu algo que  nunca tinha ouvido, não era poesia, não era feitiçaria e também não era magia. E disse-lhes: “O que eu ouvi ele recitar, vai acontecer. Ó chefes dos quraiches, deixem este homem em paz. Eu penso que, o que eu ouvi, vai produzir os seus efeitos…”. Os líderes ao ouvirem estas palavras, exclamaram: “Ó Utbah, ele te enfeitiçou!”. Respondeu: “Eu vos dei a minha opinião, Agora podem agir como entenderem”.

Em algumas narrações, foi referido que quando o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) chegou a parte do Surat Fussilar que refere os povos de Ad e de Thamud: “Porem, se desdenharem, diz-lhes: advirto-vos da vinda de uma centelha, semelhante aquela enviada aos povos de Ad e Thamud. 15- O povo de Ad, ainda, ensoberbeceu-se iniquamente na terra…. 17- E orientamos o povo de Thamud; porém, preferiram a cegueira à orientação. E fulminou-os a centelha do castigo ignominioso…19- E no dia em que os adversários de Deus forem congregados, desfilarão em direcção ao fogo infernal”. Utbah ao ouvir estas palavras, colocou a sua mão na boca do Profeta e disse-lhe: “Por amor de Deus, chega, tenha misericórdia do teu povo. Depois justificou esta atitude perante outros líderes quraiches, de que tudo o que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) diz, se cumpre e que estava com receio de um tormento se abater sobre eles.

O Cur’ane foi revelado aos árabes, em língua árabe. Era a língua que eles falavam e percebiam. No entanto os idólatras argumentavam de que o Cur’ane ao ser revelado em árabe, nada de novo trazia para eles, não havia milagre, porque o árabe é a língua materna deles. Ainda argumentavam de que se a revelação fosse transmitida em linguagem eloquente e estrangeira, seria um milagre e uma revelação de Allah! Mas o Cur’ane foi apresentado na língua árabe para que todos pudessem compreender. Se a revelação fosse feita noutra língua qualquer e porque os seus corações estavam selados, diriam que seria muito estranho, os árabes receberem orientações numa língua estrangeira! Serão sempre desculpas, para não abandonarem os seus ídolos.

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41

“Wa ma alaina il lal balá gul mubin”  “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10.

Abdul Rehman Mangá

 

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