O DUÁ A PRECE NO ISLÂO

006-01 – O DUÁ A PRECE NO ISLÂO:

وَقَالَ رَبُّكُمُ ادۡعُوۡنِىۡۤ اَسۡتَجِبۡ لَـكُمۡؕ “E o teu Senhor diz: “Invocai-Me, que Eu vos atenderei”. Cur’ane 40:60.

Duá, é uma súplica, uma prece, um pedido. Para os muçulmanos, é um momento alto de adoração. Ibn Nu’man Bashir (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse:  “A prece – Duá, é a essência da adoração”. – Abú Daúd. É um contacto directo entre o crente e o Criador, no qual, o necessitado, o pecador, pede perdão pelos actos cometidos e solicita a ajuda Divina para o preenchimento das necessidades terrenas e espirituais.

É no Cur’ane e nas tradições do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), onde encontramos inúmeras preces. Também existe um valioso legado de preces que alguns piedosos nos deixaram e que foram transmitidos de geração para geração. As súplicas, podem ser efectuadas nas nossas línguas, no entanto, devemos acrescentar algumas preces do Cur’ane e da Sunna.

As preces só podem ser dirigidas a Deus. Ele é o Único e merecedor da nossa adoração. Não se deve pedir aos ídolos, aos santos, aos piedosos que já nos deixaram e nem mesmo aos Profetas. São servos de Deus e nada nos ajudarão. Também eles não devem servir de intermediários entre o necessitado e o Senhor. Esta é a verdadeira mensagem da Unicidade Divina do Islão, conforme é referido no Cur’ane: “Não invocais ninguém, juntamente com Deus”. 72:18. “Quem atende o necessitado, quando implora e liberta do mal e vos designa sucessores na terra? Poderá haver outra divindade em parceria com Deus?”. 27:62. Diariamente, reforçamos a nossa fé, quando recitamos o primeiro khalimá (testemunho da fé) –  LA ILAHA ILLA LLAH – Não outra divindade, senão Deus. “Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros…”. Cur’ane:4:36.

As preces podem ser feitas a qualquer hora do dia. No entanto, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) indicou-nos alguns momentos especiais. Na hora de Tahajjud, na última parte da noite, no silêncio, em que aparentemente o crente se encontra sozinho, mas está perante Deus e Seus Anjos; depois de efectuar algumas orações facultativas, de louvar a Deus e de enviar bênçãos para o Profeta, prostrado, faz o duá. Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “O servo está muito próximo ao seu Senhor quando ele encontra-se na Sajda (prostração). Portanto aumentai o  duá no sajda”. Muslim.  Nas sextas-feiras, devemos incrementar as nossas preces, em especial entre os dois Khutbas do salat de Juma. Minutos antes das orações de Magrib, são muitos importantes para levantarmos as mãos e pedirmos ao nosso Criador e Senhor,  tudo o que precisarmos. Também depois de completarmos cada uma das orações farz (obrigatórias) e após louvarmos a Deus (33 vezes Subhana Allah, 33 vezes Alhamdulilah e 34 vezes Alahu Akbar), é outro momento recomendado, para aceitação das nossas preces. O duá efectuado entre o adhan (chamamento para a oração) e o Iqamah (alerta para o início da oração), não é rejeitado, segundo o relato de Anas Ibn Malik, em Abú Daúd.

Uma das condições para que as nossas preces sejam aceites, é pedir o que é permitido e bom para nós e não o que é ilícito pela religião, como por exemplo, cortar os laços familiares e enriquecer prejudicando os outros. A boa intenção deve comandar as nossas preces. Se pedirmos o aumento da riqueza, será com a intenção de a aplicarmos na satisfação das necessidades da nossa família e não esquecermos de ser generosos para com os pobres. Se pedirmos para melhorar a nossa saúde, será com a melhor das intenções, para termos forças para tomarmos conta dos nossos relativos e também para ajudar os que sofrem com a falta dela.

A paciência, deve ser uma constante do crente. Às vezes, os duás são aceites de imediato, outros demoram a ser concedidos. Acontece também, que o pedido não seja satisfeito por Deus. Se no imediato não conseguir ver satisfeito o pedido, o crente não pode desistir, deve continuar a pedir a Deus. Abu Huraira (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: A súplica de cada um de vós é concedida se ele não ficar impaciente e dizer: “eu supliquei, mas não me foi concedida.” Muslim. As preces devem ser feitas, acreditando que Deus as irá ouvir e responder. “Quando alguém fizer uma prece a Deus, não deve dizer: Ó Allah, concedei-me o perdão, se Tu assim o entenderes, mas sim deve-se implorar com devoção e dedicação, pois não há nada tão grande aos olhos de Deus, que Ele não possa conceder.” Os dois hadices do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), foram relatados por Abu Huraira (Radiyalahu an-hu), em Muslim.

 رَبَّنَا وَتَقَبَّلۡ دُعَآءِ  Rabbaná Wuatakabbal Duãí “Senhor nosso, aceitai a nossa prece” Surat Ibrahim 14:40

Deus é puro e só aceita o que é puro. Se alguém consome alimentos impuros, e adquire o seu sustento por meios ilícitos, só obterá a insatisfação de Deus. “Entre os humanos, há aqueles que dizem: “Senhor nosso! Dai-nos os bens deste mundo. Porém, eles não terão nenhuma recompensa na vida futura”. Cur’ane 2:200. Outros ganham o seu dinheiro enganando os outros. As roupas e os alimentos adquiridos tornam-se também impuros. Não estarão em condições de pedir nada a Deus, pois as suas preces serão rejeitadas. A não ser que se redimam perante Deus e  devolvam o dinheiro aos próprios donos.

Há alturas em que o duá deve ser interrompido. Por exemplo, quando ouvimos o Adhan (Chamamento para a oração) e quando os nossos pais nos chamam. Quando ouvimos o adhan, devemos repetir as palavras do Muezin, porque as mesmas contém louvores a Deus e reafirmamos a nossa fé. Quando os nossos pais necessitam da nossa ajuda ou presença, os direitos deles, sobrepõem-se ao nosso duá.

O nosso corpo e as nossas roupas, devem estar em sintonia com a pureza do nosso duá. Começamos com o udhú (ablução), a purificação corporal e espiritual. Depois sentados, na posição de tashahud e virados para quibla, colocamos as palmas das mãos levantadas, abertas e na altura ligeiramente abaixo da nossa cara. Em silêncio, começamos a nossa prece,  louvamos a Deus, enviamos bênçãos para o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) e de seguida fazemos o nosso pedido, dirigido somente a Deus. De preferência, devemos repetir o nosso pedido por 3 vezes. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) tinha por hábito repetir duas ou três vezes as recomendações consideradas importantes. Quando ele fazia as preces, repetia as súplicas por três vezes e pedia perdão a Deus, também por três vezes (segundo relato de Abdullah Ibn Massud, Radiyalahu an-hu, em Abu Daud). É aconselhável nos nossos duás, suplicarmos por três vezes ao Perdoador e Misericordioso, com as seguintes palavras: “Alhahhuma Ajirni Miná Nari” – “Ó Allah, salvai-me do castigo do fogo (do inferno)”. Em algumas situações, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), suplicava a Deus por setenta vezes. Abu Huraira (Radiyalahu an-hu), relatou: “Eu ouvi o Profeta de Deus (Salalahu Aleihi Wassalam) referir: “Por Deus, eu peço perdão a Deus e volto-me para Ele em arrependimento, mais do que setenta vezes por dia.

 O Surat Fátiha (O Capítulo de Abertura do Cur’ane), começa com um louvor a Deus e continua com uma súplica para que Deus nos guie para o caminho certo. É uma verdadeira prece, que deve ser incluída nos nossos duás diários. O Cur’ane está repleto de súplicas efectuadas pelos Profetas, desde Adam (Adão) até Issa (Jesus) Aleihi Salam, (Que a Paz de Deus esteja com eles). Servem de exemplo, não só para os muçulmanos, como também para toda a humanidade. Na Surat Fatiha e em diversas partes do Cur’ane, encontramos o atributo de Deus, Rabb – Senhor e Dono de todas as coisas. Com este atributo, começam muitas preces, como por exemplo, esta muito conhecida e recitada por todos:

رَبَّنَآ اٰتِنَا فِى الدُّنۡيَا حَسَنَةً وَّفِى الۡاٰخِرَةِ حَسَنَةً وَّ قِنَا عَذَابَ النَّارِ‏

 “Rabbaná átina, fi ddunia, hassanatan, wuafil áhirati hassanatan wuaquiná ázabal nnari” “Nosso Senhor, conceda-nos o bem neste mundo e no akhirat (vida futura) e salve-nos dos castigos do fogo (do inferno)”. Cur’ane 2:201. Com este atributo “Rabb”, foram compilados os chamados “40 Rabbanás”, que são ensinados às crianças e muito  recitados pelos  muçulmanos em geral.

Este é um  duá muito utilizado na altura do Tawaaf (acto ou efeito de circundar a casa de Deus, durante as peregrinações a Maka, no Umra ou Haj). Segundo Anas (Radiyalahu an-hu), o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) utilizava diariamente este duá centenas de vezes. Ele começava e terminava as preces com esta súplica. Porventura, é a prece mais utilizada em todo o mundo.

Acerca deste duá, foi relatado por Anas (Radiyalahu an-hu), de que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) visitou uma pessoa entre os crentes muçulmanos, com a intenção de saber sobre a sua saúde, que era tão fraca e que tinha crescido como um frango. O Mensageiro de Deus perguntou-lhe: “Suplicas a Deus por alguma coisa ou Lhe pediste para ficar assim?”. Respondeu: “Eu tenho por hábito pedir a Deus para me impor ainda neste mundo os castigos que Ele me irá impor na akhirat (vida futura)”. Retorquiu o Profeta: “Louvado seja Deus; Tu não tens o poder ou a capacidade para resistir a este castigo; porque não passas a pedir o seguinte: “Ó Deus concedei-nos o bem neste mundo e noutro e livrai-nos do tormento do fogo (do inferno)”. O Profeta fez esta súplica (para ele) e ele ficou bem”. Muslim.

“Allahuma ãfina min kullí baláil duniá waazabil kab-ri wua azábil áhirat – Ó Allah, salve-nos das preocupações deste mundo e dos castigos e tormentos da sepultura e da vida futura”.

Todos nós passaremos um por estágio entre esta vida e a vida eterna. Estaremos aguardando nas nossas sepulturas para sermos definitivamente levantados para a prestação de contas finais, para depois conhecermos a nossa “vivenda” definitiva: o paraíso ou o inferno. Enquanto isso, estaremos ou não passando pelos tormentos das sepulturas. Sempre que Hazrat Usman (Radiyalahu an-hu) passava por uma sepultura, chorava bastante, ao ponto das suas barbas ficarem molhadas e referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Eu não passei por nenhum lado que fosse doloroso e surpreendente do que  a sepultura”.  Aisha (Radiyalahu an-ha) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) tinha por hábito pedir a Deus, que o protegesse dos castigos da sepultura.

Deus fará experimentar aos seus servos, a fome, a perda dos bens e outras desgraças. Mas aqueles que tiverem confiança em Deus e forem  perseverantes e recitarem o seguinte versículo – “Inna Lilahi Wua Inna Ileihi Rájiuna – Proviemos de Deus e para Ele retornaremos”. Cur’ane 2:156 – serão os que vão receber as bênçãos e as misericórdias do Senhor e serão bem orientados. São as palavras (prece) que os muçulmanos recitam, quando tomam conhecimento de alguma fatalidade, morte ou desgraças. Quando uma morte nos é anunciada, é obrigação de todos os muçulmanos, pedir a Deus a misericórdia e o perdão para aquele que deixou esta vida passageira.  “Que Allah, Ghafur e Rahim (Deus, Perdoador e Misericordioso), perdoe o falecido e nos perdoe a nós também; In Sha Allah (Se Deus quiser), um dia estaremos todos reunidos para prestarmos contas”. Não podemos fazer mais nada, quando Deus nos leva alguém muito próximo, senão termos paciência e orarmos por ele. Abu Huraira (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) transmitiu: “Deus louvado seja, diz: “Não tenho outra recompensa que não seja o próprio Paraíso para o Meu servo crente que, quando tomo o seu ente mais querido, nesta vida, ele o aceita com resignação, em busca da Minha recompensa”. Bukhari

É habitual ouvirmos as palavras “Yarhumucolaah” – “Que Deus tenha misericórdia de ti”, depois de alguém ter espirrado e dito duma forma audível “Al Hamdullilah”- “Louvado seja Deus”. O muçulmano aproveita todas as oportunidades para fazer uma prece para o seu irmão de fé. “Implora perdão pelas tuas faltas, assim como das dos crentes e das crentes”. Cur’ane 47:19. Mesmo para um irmão de fé ausente, devemos orar por ele. Abu Darda (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Toda a vez que um muçulmano faz uma prece por um irmão, na ausência deste, um anjo repete: “E tu terás o mesmo e muito mais”. Muslim. Mesmo quando estivermos a sós e espirrarmos, devemos dizer  em voz alta – “Al Handullilah”, pode acontecer que um anjo ouça e rogue por nós.

Os filhos devem pedir a Deus, pelos seus pais, como os pais pedem para os filhos. São os direitos e as obrigações que Deus deu a cada um deles, que devem ser assumidos por ambos. Devemos lembrar diariamente os nossos pais falecidos, recitando em sua memória o “Yacin” e pedindo a Deus para que lhes perdoe os pecados e lhes conceda o paraíso. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41.  Os pais vivos, também são merecedores das preces dos filhos. O decreto do teu Senhor, é de que não adoreis senão a Ele; que sejais indulgentes com os vossos pais, mesmo que a velhice alcance um deles ou ambos, em vossa companhia: não os reproveis, nem os rejeites; outrossim, dirigi-lhes palavras honrosas. Estende sobre elas a asa da humildade e diz: Ó Senhor meu, tem misericórdia de ambos, como eles tiveram misericórdia de mim, criando-me desde pequeno. Cur’ane 17:23 e 24.

Muitos de nós exageramos nos pedidos que efectuamos a Deus, durante as preces. Uns pedirão uma riqueza para além das suas necessidades e outros agraciados, excedem-se e praticam actos dos futuros moradores do inferno, esquecendo-se  da pobreza dos seus semelhantes.  Abdullah Ibn Mughaffal (Radiyalahu an-hu), relatou que ouviu o seu filho suplicando a Deus, com as seguintes palavras: “Ó Allah eu peço-Te um palácio branco do lado direito do paraíso, quando eu entrar nele”. Ele disse ao filho: “Meu filho, peça a Deus o paraíso e também o refúgio contra o fogo do inferno, porque eu ouvi do Mensageiro de Deus (Salalahu Aleihi Wassalamo) dizer que: “Na minha comunidade, haverá alguns que excederão os limites da purificação e das suas súplicas”. – Abú Daúde. Outros perder-se-ão, passando muito tempo a pedir detalhadamente isto, aquilo e aqueloutro, esquecendo o essencial e as necessidades mais prementes.

Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. Wa ma alaina il lal balá gul mubin”  “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem”. Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. Cur’ane 10.10.

Abdul Rehman Mangá     

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