Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu
(Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Allah).
Aunzo Billahi Sami’ul Alim, Mina shaitan ni rajim. Bismilahir Rahmani Rahim
Uma das minhas intervenções na Universidade Católica de Braga. A cidade de Braga, é uma cidade conservadora, onde em cada esquina “tropeçamos” com uma igreja, convento ou casas missionárias. É um trabalho que deve continuar um pouco por todo o mundo, para que as pessoas compreendam o verdadeiro significado do islão, apesar das barreiras de muitos serviços noticiosos.
O Centro Cultural Islâmico do Porto, congratula-se pela iniciativa da Faculdade de teologia da Universidade Católica de Braga e da Revista Cenáculo e pela oportunidade para estarem aqui representadas as três religiões monoteístas, para em conjunto reflectirmos como “Percorrer os caminhos de Deus para encontrarmos a Paz para a sociedade actual”.
Começo por vos saudar com Assalamo Aleikum, que significa, que a Paz de Deus esteja convosco.
Quando Deus, o Altíssimo, criou o nosso pai Adão, que a Paz de Deus esteja com ele, disse-lhe: “Dirigi-te aos Anjos que estão sentados acolá e atenta para o modo como te vão saudar, pois que será também o modo de saudação para a tua descendência.” Adão se aproximou dos Anjos e disse: “A Paz esteja convosco!”, e responderam; “A Paz e a Misericórdia de Deus estejam contigo!”.
O Islão significa submissão a um só Deus. Significa também viver em Paz com o Criador, viver em Paz consigo mesmo, Viver em Paz com as outras pessoas e com o meio ambiente. Somos submissos ao Deus Único e seguimos as orientações que os Profetas trouxeram para a humanidade e não fazemos distinção entre eles. Cremos em todos os Profetas do Judaísmo, do Cristianismo, nomeadamente, Abraão, Jacob, Ismael, Noé, David, Moisés, João Baptista, Jesus filho de Maria e no último Profeta Muhammad (Que a Paz de Deus esteja com eles).
O Islão é o culminar de uma religião difundida por Deus através do Profeta Abraão, o patriarca do monoteísmo, e o tronco comum dos Judeus, Cristãos e Muçulmanos.
Do Profeta Abraão, nasceram dois filhos, dois Profetas: Ismael e Isaac, que deram origem aos Árabes e aos Judeus. Para o povo de Israel, vieram ao mundo uma série de Profetas, nomeadamente Salomão, David e Moisés.
Posteriormente nasceu Jesus que deu origem ao Cristianismo.
Da linhagem do Profeta Esmael, nasceu o Profeta Muhammad, que deu origem ao Islão.
A vinda desses grandes Profetas foi um cumprimento das promessas de Deus, de abençoar as nações da terra através dos descendentes de Abraão.
O islão é uma religião universal que acredita em todas as mensagens divinas enviadas por Deus através dos Profetas e Mensageiros. No coração do Alcorão estão os ensinamentos essenciais da Torah de Moisés e do Evangelho de Jesus. Deus refere no Alcorão: “Na verdade, revelamos o Livro corroborante e preservador dos Livros anteriores”. 5:48. No Alcorão encontramos, por exemplo, a história de Moisés e um capítulo completo dedicado a Maria, mãe de Jesus.
O Mensageiro crê no que lhe foi revelado pelo seu Senhor, assim como os crentes. Todos creem em Deus, nos Seus Anjos, nos Seus Livros e nos Seus Mensageiros. (e dizem): “Não fazemos distinção alguma entre os Seus Mensageiros”. E dizem: “Ouvimos e obedecemos. Queremos o Teu perdão, ó nosso Senhor! E para Ti será o nosso retorno”.
O Alcorão afirma que existe um laço especial entre muçulmanos, judeus e cristãos. Os Judeus e os Cristãos são mencionados como “Adeptos do Livro”, fazendo referência aos Livros Sagrados. Em particular o Alcorão refere uma proximidade entre muçulmanos e cristãos ao referir: “Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afecto dos fiéis, são os que dizem: “somos cristãos”. 5:82.
O islão convida os muçulmanos a conduzirem o diálogo e debates sobre os assuntos religiosos, com espírito aberto e uma boa exortação para a Paz, conforme refere o Alcorão: “E não discutas com os adeptos do Livros, senão da melhor maneira”. 29:46.
Referiu Rumi, muçulmano sufi, um dos grandes poetas da humanidade: “Quando é que a religião foi única? Sempre houve duas ou três…. Elas tornar-se-ão uma no Dia do Julgamento, mas aqui em baixo é impossível, pois cada um tem finalidade e desejos diferentes… no Dia do Julgamento, todos se tornarão um, se voltarão para uma só direcção e terão a mesma língua e o mesmo ouvido…” Djalal Ud-Din-Rumi.
A diversidade das religiões, nações e povos é um exame, um teste para todos nós. Se o poder estivesse nas mãos de um só grupo, etnia, nação ou religião, a terra estaria corrompida. Assim diversos grupos e diversas religiões ajudam a travar o ímpeto do desejo do poder absoluto. A diversidade cultural e religiosa é importante, também para nos conhecermos. Conhecer o outro é um caminho para a convivência pacífica. O mundo hoje é global. Viajamos com facilidade para países distantes do nosso planeta e acabamos por conhecer uma diversidade de povos, de religiões e de outras culturas. Mas também já vivem connosco pessoas de tradições diferentes, para os quais alguns olham com desconfiança. Não podemos julgar um livro só pela sua capa. Devemos perder um pouco do nosso tempo, para conhecermos as suas culturas, seus fundamentos religiosos e suas tradições. Os diálogos, inter-cultural e inter-religioso, tornam-se indispensáveis. Só assim o receio se desvanecerá. Conhecer e provar a comida do mundo, é também uma forma de compreender a diversidade.
Deus é o Criador de toda a humanidade e de tudo o que existe na terra e nos céus. Deus é a Luz da Terra e do Universo. Chamem-lhe de Allah, de Deus, de Dieu, de Jeová, de Kulumkumba (como é chamado em Moçambique, na terra que me viu nascer), mas Ele é Um só, Ele é o Misericordioso para toda a humanidade. Os cristãos coptas que utilizam a língua árabe, chama-Lhe de Allah.
O que é a FÉ? Segundo a definição que encontrei na Bíblia, no Livro “Hebreus 11.1”: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, a prova das coisas que não se vêm”. A fé é acreditar em Deus, apesar de não O vermos e de nem sabermos como é que Ele é. Fácil é acreditar em algo que agarramos, que sentimos nas nossas mãos e ou que vemos… O Profeta Muhammad deu uma definição simples e interessante: “A religião (fé) é um acto de sinceridade para com Deus, sinceridade para com os Seus Profetas, sinceridade para com os Seus Livros, sinceridade para com os nossos dirigentes e sinceridade para com todos, em geral”.
Se utilizássemos a sinceridade nas nossas vidas, seríamos todos felizes e até os animais sentiriam inveja de nós!
O mundo devia estar melhor, devido aos inúmeros avanços nas tecnologias, na saúde e no bem-estar. Mas está a atravessar uma crise de identidades, de mentiras, de guerras injustas, de corrupção, de fome extrema, de opressão, de corte de relações consanguíneas e de outras barbaridades. Na verdade, o ser humano está numa grande perdição. “Advertiu-nos o Profeta Muhammad de que se não tivermos vergonha, faremos o que quisermos!” Sim, procura-se a vergonha que anda perdida pelos quatro cantos do mundo.
O Homem foi criado por Deus no melhor dos moldes, mas abandonou a harmonia e trilhou e continua a trilhar o caminho da discórdia, da intolerância, do ódio e da descrença. O egoísmo e a degradação estendem-se agora entre as nações, que se dividiram em blocos, com alianças flutuantes, dependentes dos interesses estratégicos de cada momento.
Mas Deus com a Sua infinita Misericórdia e Perdão, que Guia pessoas e nações, nunca abandona os arrependidos que se voltam para Ele. Sim, ainda tenho esperança num mundo melhor onde também crianças e indefesos poderão viver em segurança.
Mas o mundo continua em convulsão. O ser humano distanciou-se de Deus e já não tem receio nem vergonha para praticar atrocidades e barbaridades. O homem viola, mata e rouba o seu semelhante para aumentar o seu pequeno ou grande “império”. Humilha e insulta o outro para se sentir mais arrogante. As nações também entram em conflitos por causa do poder económico e de diferendos territoriais. Quem sofre são os que nada têm a ver nem a ganhar. O ser humano desceu ao mais baixo nível. Os animais olharão para ele e lhe “dirão”: “sou melhor porque só mato para me defender e para me alimentar”.
A invasão do Iraque em 2003, marca o reinício duma desestabilização social e militar numa zona geográfica muito complicada do mundo – o médio oriente. O argumento que os Estados Unidos da América encontraram para se vingarem dos ataques de 11 de Setembro, foi de invadirem o Iraque com o pretexto de que o país possuía armas de destruição biológica e de que se encontrava ligado a grupos terroristas. O que se provou ser mentira. Agora com o país sem lei e sem ordem, os Iraquianos matam-se uns aos outros, lembrando as crónicas do saudoso Raul Solnado quando referia à (nossa) guerra colonial: “Ora atacas tu, ora ataco eu”.
A destruição do Iraque e as guerras consequentes noutros países, nomeadamente na Líbia e na Síria, deixam várias brechas nos poderes, que estão a ser aproveitadas pelos terroristas que se intitulam muçulmanos, que matam todos os que não estão de acordo com as suas ideologias, utilizando o nome de Deus. Este fanatismo e este tipo de vingança que vem sendo utilizado ao longo da existência do ser humano, não faz parte de qualquer religião Abraâmica, muito menos do Islão.
Todos os muçulmanos que, em nome de Deus e do islão vêm cometendo atrocidades, não passam de assassinos e não podem ser considerados crentes. Os muçulmanos que inspiram a paz e a convivência com todos os credos, também se sentem revoltados com estas barbaridades. Os líderes das comunidades islâmicas de todo o mundo condenam estes actos contrários à religião islâmica. Infelizmente, a comunicação social mundial não divulga a maior parte das nossas posições de revolta, porque infelizmente o que se vende é a notícia de que o “homem mordeu o cão”.
Não devemos confundir muçulmanos com o islão. Há muçulmanos que se comportam mal, que não podem ser considerados como crentes. Refere o Alcorão: “Não há compulsão na religião”. 2.256. Ninguém pode ser obrigado a converter-se a uma religião, sob pena de não saborear o verdadeiro sabor da fé.
Apesar destes conflitos que as televisões nos trazem todos os dias às horas dos telejornais, o islão é a religião no mundo que continua a crescer, não só através dos nascimentos, mas também através de conversões que se verificam em todo o mundo ocidental.
As nossas preces para que o homem encontre o verdadeiro caminho da fraternidade humana. Com os nossos corações revoltados com tudo o que se passa neste mundo conturbado, as nossas canetas escrevem “alto e a bom som”: – Parem de cometer atrocidades em nome de Deus, o Criador de toda a humanidade, Senhor e Protector dos crentes, Criador daqueles que não O temem e também Criador daqueles que não acreditam Nele.
Ó gente, acautelem-se daqueles que cometem barbaridades em nome de Deus, mas não tenham medo do Islão.
Uma boa noite, com a Paz e a Misericórdia de Deus.
Wa ma alaina il lal balá gul mubin” “E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem“. Surat Yácin 36:17.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá